Prisões de ex-sócios da Naskar e bloqueio de ativos são alvo de investigação; vítimas aguardam ressarcimento
Segundo informações divulgadas pela coluna Mirelle Pinheiro, do Metrópoles, parceiro do PrimeiroJornal, três ex-sócios da Naskar Gestão de Ativos Ltda foram presos em São Paulo, em uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). A Justiça também autorizou o bloqueio de contas ligadas à fintech, no âmbito de apuração sobre possível golpe que prejudicou dezenas de investidores.
Os detidos anunciados pela apuração são: Jose Maurício Volpato (Maurício Jahu), Rogério Vieira e Marcelo Liranco Arantes. O trio foi preso nesta quarta-feira (22/7) em São Paulo e, durante o depoimento, não reagiu e optou pelo silêncio.
Além da prisão, a Justiça autorizou o arresto de recursos financeiros ligados à Naskar e a empresas do mesmo grupo. A relação das contas bloqueadas inclui entidades envolvidas na operação, entre elas a Naskar Gestão de Ativos Ltda e outras companhias associadas ao conglomerado financeiro.
Como parte do desdobramento, a polícia apontou várias empresas associadas à estrutura operacional da Naskar, citadas pela decisão judicial: Naskar Gestão de Ativos Ltda, Celcoin Instituição de Pagamento S.A., Nexco Consultoria de Valores Mobiliários e Planejamento Financeiro Ltda, Family Office Daytona Administração e Participações S S Ltda, Volpato Administração e Participações S/S Unipessoal Ltda, 7trust Finance Instituição de Pagamento S/A e Next Holding Financeira Ltda.
Entenda o caso
- A Naskar Gestão de Ativos Ltda é apresentada como fintech com 13 anos de atuação, captando recursos de clientes com promessa de retorno de 2% ao mês, superior ao praticado pelo mercado;
- Por exemplo, investidores poderiam imaginar rendimentos mensais altos, com a empresa se responsabilizando pela gestão do patrimônio;
- O modelo operava sem registros de grandes problemas ao longo de mais de uma década, até a ocorrência de atraso no pagamento de rendimentos previstos para 4 de maio;
- Com a situação, clientes buscaram contato com os sócios, sem resposta, e o aplicativo da instituição deixou de funcionar em 6 de maio;
- A Naskar mudou de endereço e, após rumores, a empresa anunciou a aquisição pela Azara Capital, supostamente com foco em ressarcimento aos clientes, porém as promessas não se concretizaram;
- Entre as controvérsias, constam lacunas como ausência de informações oficiais sobre cargos de direção no site da Azara e divergências de localização indicadas pela empresa;
- Em maio, Douglas Silva de Oliveira, apontado como quem assumiu a responsabilidade pela sua aquisição, publicou promessa de pagamento, sem efeito até o momento.
O advogado Murilo Bueno, que representa alguns investidores da Naskar, acionou a Justiça requerendo a rescisão contratual e a restituição integral dos valores, com juros, além da responsabilização de todos os envolvidos. Em frente a esse pleito, medidas cautelares de arresto foram pleiteadas para preservar o patrimônio, mas a Justiça, em análise inicial, indeferiu a medida por entender que ela é excepcional e depende de citação dos réus e garantia do contraditório. Ainda assim, o escritório já recorreu da decisão, mantendo a expectativa de recuperação total ou parcial dos recursos.
Atualizações trazidas pela apuração apontam ainda que o caso envolve diversas sociedades do grupo, acusadas de fraude de grandes valores, e que o acompanhamento das investigações continua pela Polícia Civil do DF, com repercussões nas estratégias dos investidores para buscar ressarcimento.
A cobertura é baseada na apuração do Metrópoles, com confirmação de informações pela colaboração entre o veículo e o PrimeiroJornal. O caso segue em andamento e novas informações podem alterar o panorama das ações legais e do ressarcimento aos investidores.
