Empresários e caminhoneiros do Extremo Sul da Bahia afirmam que o desvio entre o distrito de Santa Maria Eterna, em Belmonte, e Eunápolis, na Costa do Descobrimento, já provoca impactos significativos na economia local. O trajeto, utilizado como rota alternativa durante as obras da ponte sobre o Rio Jequitinhonha na BR-101, tem quase 60 quilômetros e registra atrasos, dificuldades de trafegabilidade e prejuízos para o setor produtivo.
De acordo com o Radar News, parceiro do Bahia Notícias, usuários relatam que o percurso, que antes era percorrido em aproximadamente uma hora, pode levar até oito horas em períodos de chuva, ampliando o tempo de deslocamento das cargas.
Os motoristas apontam a ausência de manutenção por parte do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), bem como a falta de cobertura de telefonia móvel e de infraestrutura de apoio ao longo da estrada. O trecho tem registrado veículos atolados, caminhões com problemas mecânicos e ocorrências de acidentes.
CUSTOS LOGÍSTICOS – O presidente do Distrito Industrial de Eunápolis, Pablo César Moraes, afirmou que o aumento no tempo de deslocamento elevou em cerca de 30% os custos logísticos das empresas da região. Além do maior consumo de combustível, as dificuldades de segurança e os atrasos na chegada de insumos reduzem a competitividade das indústrias locais.
Jaberson Fernandes, especialista em logística, informou que o desvio provocou um aumento entre 10% e 15% nos custos operacionais das operações de transporte. Ele apontou ainda que o excesso de movimentação de cargas ao longo da estrada tem causado avarias em mercadorias, além de elevar a preocupação com a segurança de motoristas e ajudantes.
Fernandes acrescentou que o valor pago aos transportadores terceirizados precisou ser reajustado em 10%, ainda que parte desse custo esteja sendo absorvida pelas empresas para evitar repasses aos consumidores.
CAMINHONEIROS – Além dos prejuízos para as empresas, caminhoneiros que utilizam o desvio relatam rotina de incertezas. Cristiano de Oliveira Melo, que saiu de Jacobina (Minas Gerais) com uma carga de pedras destinada ao Rio Grande do Sul, permanece parado há dias após o caminhão apresentar problemas mecânicos. Ele cita a ausência de sinal de telefonia, a distância até pontos de apoio e a necessidade de deixar o veículo desacompanhado durante o conserto, aumentando o risco de furtos.
Outro motorista, Hilton Geraldo, de 43 anos, com o caminhão igualmente quebrado, afirmou que a insegurança e os altos custos para assistência mecânica são rotina. Ele transporta refrigerantes para Eunápolis, Porto Seguro e Teixeira de Freitas e não sabe quando conseguirá concluir as entregas, classificando a situação como abandono.
