Três ex-sócios da fintech Naskar Gestão de Ativos Ltda foram presos na quarta-feira (22/7), em São Paulo, pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), conforme informações divulgadas pelo Metrópoles, parceiro do PrimeiroJornal. A operação mira uma fraude que, segundo a apuração, prejudicou aproximadamente 3 mil investidores e pode ter chegado a mais de R$ 900 milhões.
Segundo apuração, a Naskar captava recursos com a promessa de rentabilidade de 2% ao mês, operando por cerca de 13 anos até interromper os pagamentos aos investidores em maio deste ano. O caso foi revelado pelo Metrópoles em maio, e a investigação continua para esclarecer a extensão do esquema.
Entre os presos estão Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato. A PCDF informou que todos foram detidos e que enfrentarão audiências de custódia nesta semana. A operação aponta envolvimento de múltiplos indivíduos ligados à rede de empresas do grupo, com o objetivo de desviar recursos e manter o funcionamento das operações da Naskar.
De acordo com a investigação, Douglas Silva de Oliveira, de 26 anos, admitiu ter transferido a Naskar para o nome da avó, Célia de Fatima Ferreira, de 77 anos. Douglas afirmou ainda que pratica esse tipo de transferência com todas as empresas que abre ou adquire.
A tendência de controle mudou em junho, quando a avó assumiu a gestão da Naskar. Na época, Douglas alegou continuar como responsável pela fintech, com a diretoria sendo alterada, apesar de manter a controladoria sob seu comando, conforme reportagem publicada pelo Metrópoles.
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) determinou, nesta terça-feira (21/7), o bloqueio de R$ 75 milhões pertencentes a Douglas e a outras pessoas ligadas à instituição financeira. Entre os alvos também está a avó de Douglas. A medida teve o objetivo de assegurar recursos diante da investigação em curso.
Veja abaixo os nomes e as empresas com contas bloqueadas (informação apresentada pela autoridade judiciária e pela apuração em andamento):
- José Maurício Volpato (Maurício Jahu): ex-sócio da Naskar; rosto público do grupo, ex-jogador profissional de vôlei e ex-apresentador da ESPN Brasil;
- Rogério Vieira: ligado às investigações e sociedade em empresas do setor financeiro;
- Marcelo Liranco Arantes: ex-sócio que atuava na administração e gestão do grupo;
- Douglas Silva de Oliveira Azara: apontado como comprador da Naskar, posteriormente transferiu a empresa para a avó;
- Célia de Fatima Ferreira: avó de Douglas, cuja participação envolve a Naskar em junho deste ano;
- Naskar Gestão de Ativos Ltda: principal empresa investigada no caso;
- Celcoin Instituição de Pagamento S.A.: atuava como banco garantidor da Naskar;
- Nexco Consultoria de Valores Mobiliários e Planejamento Financeiro Ltda: atuava como distribuidora e intermediária de investimentos;
- Family Office Daytona Administração e Participações S/S Ltda: fintech associada a Rogério Vieira, apontada em decisões judiciais como parte de esquema de confusão patrimonial;
- Volpato Administração e Participações S/S Unipessoal Ltda: empresa ligada ao ex-jogador Maurício Volpato;
- 7trust Finance Instituição de Pagamento S/A: funcionava como braço operacional de pagamentos da Naskar;
- Next Holding Financeira Ltda: integrante do grupo Naskar.
As autoridades destacam que a investigação permanece em curso, com diligências para esclarecer a extensão do esquema, a origem dos recursos e o real alcance das operações da Naskar e de suas entidades ligadas.
