Gabriel Almeida, médico e influenciador conhecido como Doutor Mounjaro, moveu uma ação civil no TJ-SP contra a EQR Capital, alegando ter perdido R$ 10,75 milhões em um suposto esquema de pirâmide financeira. A ação exige o bloqueio de bens dos diretores, a anulação de contratos e uma indenização. A relação que antes era de extrema proximidade — com jantares, passeios de helicóptero e festas na ilha particular dele na Bahia — começou a ruir no início deste mês, quando os rendimentos deixaram de ser pagos, segundo a reportagem publicada no portal O Bastidor.
Segundo Almeida, a EQR Capital, por meio do diretor Carlos Henrique e da intermediária Carolina Cruz, usou deliberadamente sua imagem e eventos para atrair médicos ricos. Ele nega ter recebido comissões, mas fontes da empresa afirmam que ele não era apenas vítima: ele atuava ativamente, trazendo colegas de profissão e recebendo comissão. O processo, aponta a reportagem, seria uma estratégia para “limpar a barra” com médicos que hoje cobram explicações dele.
Documentos obtidos pela reportagem revelam que a EQR operava sem registro no Banco Central ou na CVM, contando com 54 corretores e captadores em seis estados. O esquema alcançou 125 cidades em 19 estados. Entre 650 contratos analisados, teriam sido captados R$ 51,9 milhões de 370 investidores; fontes internas estimam que o rombo real possa ultrapassar R$ 300 milhões. O ápice ocorreu em junho de 2025, com R$ 4,9 milhões captados em apenas um mês.
Para atrair clientes, a EQR prometia lucros de 2,84% a 5% ao mês (até 80% ao ano), enquanto a taxa Selic oscilava entre 13,5% e 15% ao ano. A engrenagem contava com comissões de 4% sobre o aporte e mais 4% ao mês sobre o saldo do investidor, elevando o custo mensal para cerca de 7% ao mês (120% ao ano). Sem uma fonte real de ganhos, os pagamentos dependiam da entrada contínua de novos clientes — o clássico formato de pirâmide.
O roteiro era repetido: rendimentos iniciais eram pagos para conquistar a confiança, e, em seguida, o dinheiro e as garantias prometidas somiam. A estrutura envolvia 54 corretores e captadores em seis estados. Além de médicos ligados a Almeida, vítimas de outros setores também foram atingidas; em Mato Grosso, a dona de uma clínica de estética move ação contra Carolina Cruz buscando reaver R$ 2,2 milhões perdidos no mesmo esquema.
A reportagem tentou ouvir a EQR Capital, Gabriel Almeida e Carolina Cruz na tarde desta segunda-feira (22). A empresa foi questionada sobre fraude e ausência de registros; Almeida, sobre as acusações de recebimento de comissões; e Cruz, sobre as promessas de lucro exorbitantes. Até o fechamento desta edição, nenhum deles havia se manifestado.
Casos como esse levantam questões importantes sobre a fiscalização de investimentos de alto rendimento e o papel de quem promove eventos para atrair clientes. O que você pensa sobre esse tipo de operação e os riscos envolvidos? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a leitura com quem precisa ficar atento a esse tipo de golpe.
