Homens que queimaram cristãos vivos são absolvidos pela Suprema Corte do Paquistão

Escrito por: Diógenes Cunha

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A Suprema Corte do Paquistão absolveu os três últimos homens condenados à morte pelo assassinato brutal de Shahzad Masih e Shama Bibi, casal cristão queimado vivo em 2014, após falsas acusações de blasfêmia. A decisão, anunciada em 9 de julho durante uma audiência em Islamabad, reconhece que as provas não sustentam as condenações e aponta falhas graves na investigação.

O crime ocorreu em 4 de novembro de 2014, em Kot Radha Kishan, na província de Punjab. Shahzad Masih e Shama Bibi, pais de três crianças, foram espancados por uma multidão muçulmana e jogados no forno de uma olaria, depois de serem acusados injustamente de queimar páginas do Alcorão. Em 2016, um tribunal antiterrorismo condenou cinco homens à pena de morte e outros oito a penas pequenas, dando início a uma longa batalha judicial.

Posteriormente, a Justiça retirou a condenação de dois dos cinco réus, mantendo apenas três homens sob a pena de morte. O governo da província de Punjab tentou recorrer, mas a Suprema Corte rejeitou o recurso, consolidando a decisão de absolvição para os demais suspeitos. A corte ainda manteve a absolvição de 102 outros envolvidos no ataque.

Reações e críticas ao processo – Advogados envolvidos no caso ressaltaram falhas graves na condução da investigação e no interrogatório, que teriam prejudicado o embasamento da acusação. Basharat Masih, advogado cristão, destacou contradições entre os registros policiais, depoimentos e declarações de familiares, apontando que essas inconsistências comprometeram as condenações.nLazar Allah Rakha, também da defesa, afirmou que o veredito deveria provocar uma reflexão sobre a forma como o caso foi conduzido, especialmente em um crime tão brutal, exigindo preparo técnico e estratégia jurídica robusta.

Líderes cristãos e pressão por proteção – O bispo Samson Shukardin, presidente da Conferência Episcopal Católica do Paquistão, e Bernard Emmanuel, da Comissão Nacional para Justiça e Paz (NCJP), críticas da decisão, argumentando que o veredito reforça um padrão de impunidade em casos envolvendo minorias religiosas. A NCJP pediu ao governo que fortaleça a proteção às minorias e responsabilize autoridades por investigações mal conduzidas.

O Paquistão figura na 8ª posição na Lista Mundial da Perseguição de 2026, da Portas Abertas, evidenciando como as leis de blasfêmia costumam ser usadas para deslegitimar minorias e acionar ataques, prisões e acusações infundadas, mesmo sem uma execução direta pelo Estado. A decisão atual é vista por muita gente como um sinal de que há falhas sistêmicas a serem corrigidas para evitar novas abusos.

O caso permanece como um marcador contundente sobre justiça e direitos religiosos no Paquistão, deixando famílias das vítimas e comunidades cristãs em uma expectativa ambígua sobre futuras responsabilizações. E você, o que pensa sobre o impacto dessas decisões na proteção de minorias e na confiança no sistema judicial?

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