Intel supera expectativas e tem maior crescimento de receita em quase 15 anos

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Nesta quinta-feira, a Intel divulgou resultados do segundo trimestre que ficaram acima das expectativas do mercado, com lucro ajustado por ação de US$ 0,42 e receita de US$ 16,1 bilhões, impulsionados pela crescente demanda por infraestrutura de IA. As ações subiram cerca de 11% nas negociações após o fechamento do mercado.

O desempenho foi puxado pela maior procura por capacidade computacional para suportar aplicações de IA, especialmente no segmento de data centers, que impulsionou as vendas de processadores para servidores. A divisão de PCs continuou estável, enquanto a empresa avançou com medidas para ampliar sua atuação na fabricação de chips.

A Intel reportou lucro líquido ajustado por ação de US$ 0,42, frente a US$ 0,21 esperados pelos analistas, conforme o consenso compilado pela LSEG. A receita totalizou US$ 16,1 bilhões, acima da estimativa de US$ 14,4 bilhões. Para o terceiro trimestre, a empresa projeta lucro ajustado por ação de US$ 0,38 e receita entre US$ 15,8 bilhões e US$ 16,8 bilhões, acima das previsões de analistas.

Segundo informações divulgadas pela empresa, o impulso da IA tem elevando a demanda por capacidade de processamento, beneficiando principalmente as vendas de processadores para data centers. O crescimento da receita no trimestre foi de 25% em relação ao ano anterior, o maior desde 2011.

“A IA está impulsionando uma demanda sem precedentes por capacidade computacional. À medida que executamos nossa estratégia, a Intel está bem posicionada para capturar um crescimento sustentável em nossa linha de processadores”, destacou o CEO Lip-Bu Tan em comunicado.

Até o fechamento do mercado, as ações da empresa acumulavam ganhos expressivos em 2026, superando 170% de valorização. Em 2025, o governo dos Estados Unidos também anunciou a aquisição de uma participação de 10% na Intel como parte de esforços para fortalecer a fabricação de semicondutores no país.

A companhia também informou que já iniciou negociações de contratos de longo prazo com clientes para seus processadores destinados a servidores. Alguns acordos terão preços previamente definidos, enquanto outros serão estruturados com base no volume de chips fornecidos. Ao todo, a Intel já fechou dez contratos desse tipo, segundo o diretor financeiro David Zinsner, que ressaltou as atuais limitações de oferta frente à demanda de data centers.

lip-bu tan, ceo da intel
Lip-Bu Tan substituiu Pat Gelsinger – Imagem: Reprodução/Intel

Crédito: Reprodução/Intel

Entre os destaques, a divisão de data centers permaneceu como maior geradora de receita, com alta de 59% na comparação anual, atingindo US$ 6,3 bilhões. Já a área de processamento para PCs apresentou crescimento modesto, sendo a maior parte da receita gerada pela oferta para data centers. A empresa também indicou que as vendas de PCs devem permanecer estáveis no terceiro trimestre, em meio à escassez de memória.

A Intel confirmou planos de ampliar investimentos em capital, com expectativa de um aumento “significativo” no próximo ano para acelerar a transformação em uma fabricante de semicondutores para terceiros. Em entrevista à CNBC, o diretor de operações afirmou que o processo de fabricação mais recente, conhecido como 14A, está mais adiantado do que as tecnologias anteriores.

Além disso, a unidade de foundry registrou receita de US$ 5,8 bilhões no trimestre, alta de 31% na comparação anual, mas a empresa não informou ainda um grande cliente público para a operação de fabricação. A Fortinet foi mencionada como o primeiro cliente publicamente identificado desde a mudança na liderança, ainda que utilize uma tecnologia de fabricação mais antiga para produzir seus chips, conforme declaração da companhia.

A margem bruta da Intel também mostrou recuperação, atingindo 42% no segundo trimestre, ante 2,5% no mesmo período do ano anterior. A empresa atribuiu a melhoria aos ganhos de escala com o aumento de receita e à venda de chips com margens mais elevadas.

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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