Francisco das Chagas Chaves da Silva, conhecido como “Chico Trader”, foi preso nesta quarta-feira, 22/7, após se entregar à Polícia Civil do Piauí (PCPI) durante a segunda fase da Operação Extrema Confiança. Ele era apontado como dirigente de um suposto esquema de pirâmide financeira que causou prejuízos a centenas de investidores nos estados do Piauí e do Maranhão.
A prisão foi cumprida pelo Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), com apoio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). Francisco compareceu à sede da unidade policial acompanhado de advogados, prestou depoimento e foi encaminhado para audiência de custódia.
Segundo a Polícia Civil, o grupo captava recursos de investidores com promessas de rendimentos de até 10% ao mês por meio de supostas operações na bolsa de valores.
As investigações apontam que a movimentação financeira identificada nas contas de Francisco e da empresa Xtreme Trade ultrapassa R$ 600 milhões. A estimativa inicial era de R$ 440 milhões, mas o valor foi revisada conforme o avanço das apurações.
A Polícia Civil já ouviu cerca de 100 vítimas, com perdas individuais que variam entre R$ 200 mil e R$ 400 mil. Ao todo, estima-se que aproximadamente 330 pessoas tenham sido prejudicadas, algumas com investimentos superiores a R$ 1 milhão.
Durante o interrogatório, Francisco afirmou residir em Ciudad del Este, no Paraguai, e que os recursos aplicados pelos investidores teriam sido perdidos em operações na bolsa ainda no ano anterior. Ele disse não possuir patrimônio suficiente para ressarcir os prejuízos.
A Polícia informou que, na conta empresarial de Francisco, havia apenas centavos, enquanto a conta pessoal trazia apenas R$ 100.
O delegado Luciano Alcântara, responsável pela investigação, explicou que a primeira fase da Extrema Confiança cumpriu mandados de busca e apreensão, e que, com o aprofundamento das apurações, foram identificados investigados com fortes indícios de participação no golpe financeiro, levando à expedição de quatro mandados.
A investigação aponta que apenas uma investigada continua foragida: Kayra Cardoso Guimarães, esposa de Francisco, que também estava no Paraguai. Os advogados informaram que ela não pretende se apresentar às autoridades no momento.
A apuração também indica que o suspeito aceitava investimentos em dinheiro, transferências bancárias, joias e veículos, o que dificulta a estimativa do prejuízo total.
O delegado afirmou que o caso é considerado o maior golpe financeiro já investigado no Piauí. Entre as vítimas ouvidas, as perdas variam e as apurações devem prosseguir para esclarecer o montante final.
Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, parceiro do PrimeiroJornal.
