Operação Janus desarticula rede de lavagem de dinheiro ligada ao PCC em SP; 18 mandados, 11 presos

Segundo informações obtidas pelo Metrópoles, parceiro do PrimeiroJornal, a Operação Janus deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo em conjunto com o Ministério Público do Estado investiga operadores financeiros vinculados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) envolvidos na movimentação de recursos ilícitos. A investigação aponta a existência de um “banco paralelo” utilizado para ocultar a origem do dinheiro obtido pelo crime e para conferir aparência de legalidade às transações.
Ao todo, são cumpridos 18 mandados de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão. Até o momento, 11 suspeitos foram presos. Entre as autoridades citadas nas investigações, estão o 13º Distrito Policial (Casa Verde), o 39º Distrito Policial (Vila Gustavo) e o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), além de uma Seccional da Polícia Civil da região norte.

Em uma das mensagens, os criminosos discutem o pagamento de propina a policiais do 13º e do 39º DPs, além de uma Delegacia Seccional da zona norte, para proteger o esquema de lavagem de dinheiro da facção.
Em outra troca pelo WhatsApp, Bruno Fernandes é instruído a reservar R$ 50 mil para “pagar a polícia”, conforme registro do MPSP. No material obtido pela investigação, há ainda indícios de uso de códigos para reduzir artificialmente o valor real das quantias, sinalizando pagamentos de R$ 7,5 mil e R$ 15 mil a determinadas delegacias.
A SSP – Secretaria da Segurança Pública ainda não se posicionou sobre o tema até o momento. Em meio às evidências, a investigação aponta um fluxo de propinas chamado de “despesas do Deic”, com a divisão de valores por meio de empresas de fachada e dinheiro vivo.
Áudios obtidos pelo Metrópoles também revelam188 conversas em que Cléber Azevedo dos Santos solicita a liberação de cerca de R$ 100 mil para um caso envolvendo o Deic. Em uma gravação direcionada a Amjad Ahmad, também ligado ao esquema, Cleber descreve um possível pedido de pagamento feito por policiais do setor de crimes cibernéticos do Deic, com menção de que “tomariam 300 mil dele”.
Operação Janus
A Operação Janus, deflagrada na manhã desta terça-feira (21/7), mira a atuação de operadores financeiros que supostamente movimentavam recursos para o PCC, realizavam conversões de dinheiro em espécie e transfers entre pessoas jurídicas de fachada, contribuindo para a ocultação, circulação e disponibilização de valores considerados ilícitos.
No total, são 18 mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão expedidos pela Vara Estadual de Organização Criminosa e Lavagem de Bens, Direitos e Valores. Cinco dos investigados permanecem foragidos. A relação completa dos alvos, com status de prisão ou fuga, inclui: Cleber Azevedo dos Santos (preso), Robson Martins de Souza (preso), Antônio Carlos Ubaldo Júnior (preso), Paulo Rogério Silva (preso), Odair Alves da Silveira Filho (preso), Leonardo Meirelles (foragido), Marlon Antonio Fontana (preso), Bruno Ramos Fernandes (preso), Meire Bomfim da Silva Poza (presa), Fernanda Esteves Silva Lopes (presa), Danillo Vinicius da Silva Rosario (foragido), André de Souza Haddad (preso), Antônio Carlos Sampaio (foragido), Alexandre Viriato da Silva (preso) e Raphael Flores Rodriguez (foragido), além de Amjad Ahmad (foragido) e Eduardo Américo Coelho (preso).
Em outra frente, uma mensagem de Cleber Azevedo enviada no dia 15 de junho mostra a troca de mensagens com Raphael Flores Rodrigues, conhecido como “Batata”, em que aparece uma foto do interior do Deic com comentário que ironiza a “fachada do banco” e alega que ali “só deposita, nunca saca”.
O material indica ainda a existência de um fluxo de pagamentos não declarados, com a prática de dividir os valores por meio de empresas de fachada e dinheiro vivo. Raphael Flores Rodrigues, também investigado, já havia sido preso pela Polícia Federal no fim de março, durante a segunda fase da operação Narco Azimut, sob suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Em 2020, ele foi condenado em ação relacionada à Lava Jato por envio de recursos ao exterior em benefício de terceiros.
Procurada pela reportagem, a SSP não comentou o assunto até o fechamento desta edição.
Participe nos comentários: qual a sua leitura sobre os desdobramentos desta operação e as implicações para o combate à lavagem de dinheiro no país?
À medida que novas informações forem disponibilizadas, o PrimeiroJornal continuará acompanhando o desenrolar da Operação Janus e a evolução das investigações envolvendo o Deic, o MPSP e as demais autoridades.
Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, parceiro do PrimeiroJornal, a apuração prossegue para esclarecer os vínculos entre os investigados e as estruturas acusadas de lavagem de dinheiro.
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