Misturando o santo com o profano

Publicado:

compartilhe esse conteúdo


Às pôr do sol de hoje começa a data mais trágica do calendário hebraico — 9 de Av —, o dia em que, segundo a tradição, foram destruídos o Primeiro Templo e o Segundo Templo em Jerusalém, separados por seis séculos e meio. Segundo informações divulgadas pelo Portal Guiame, parceiro do PrimeiroJornal, esta reflexão é uma colaboração de Getúlio Cidade, escritor, tradutor e hebraísta, que aborda o conflito entre o sagrado e o profano a partir dessas passagens sagradas.

O texto cita a Haftará de Isaías como uma das mais fortes repreensões de Deus a Judá, destacando a mistura entre rituais e pecado. Entre as palavras, lê-se a crítica à prática de oferecer sacrifícios sem transformação ética: “De que me serve a multidão dos vossos sacrifícios, diz o Senhor? Já estou farto dos holocaustos… Quando vindes à minha presença, quem requereu isto das vossas mãos, que venha pisar os meus atrios? Não continueis a trazer ofertas vós! O incenso para mim é abominação (…); não posso suportar iniquidade nem o ajuntamento solene (…).” (v.11-15).

Essa leitura, classificada como eco profético, é apresentada como um convite à reflexão sobre o que, nos dias atuais, tem sido misturado entre o sagrado e o profano. O autor pergunta quantas práticas religiosas contemporâneas mantêm preceitos humanos diante de mandamentos divinos, adotando costumes que muitas vezes contrariem as próprias Escrituras, em nome de uma tolerância que passa pela omissão do que é justo.

“O caminho de volta” é apresentado como resposta: Adonai Elohenu — o Senhor nosso Deus — é rico em misericórdia. Ao final da haftará, o texto aponta o retorno com exortação à purificação: “lavai-vos, e purificai-vos. Tirai a maldade dos vossos atos de diante dos meus olhos! Cessai de fazer o mal, e aprendei a fazer o bem! Praticai o que é reto, ajudai o oprimido. Fazei justiça ao órfão, tratai da causa das viúvas.” (v.16-18).

Para o autor, a senda traçada nessa leitura é a verdadeira prática da fé: servir com zelo e justiça, sem perder de vista a santidade exigida por Deus. Getúlio Cidade encerra destacando que essa é a “vereda da excelência” e que quem a percorre encontra o favor do Senhor.

Getúlio Cidade é escritor, tradutor e hebraíta, autor de A Oliveira Natural: As Raízes Judaicas do Cristianismo, e assina a reflexão aqui publicada como colaboração ao PrimeiroJornal.

Este conteúdo é uma colaboração voluntária e não reflete, necessariamente, a opinião do Portal Guiame.

Participe nos comentários com suas leituras sobre o tema e compartilhe como essa reflexão reverbera em sua prática de fé.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

O paradoxo da koinonia anônima: Crítica teológica à atomização eclesial no culto

A liturgia cristã entre desconhecidos: da massa ao Corpo de Cristo - uma reflexão publicada pelo Guia-me, parceiro do PrimeiroJornal, examina como a...

Líder e ministro de louvor são mortos em ataque terrorista no Congo

Um líder idoso da igreja e o ministro de louvor foram mortos durante ataques de extremistas islâmicos na região leste da República Democrática...

Evangelista de rua continua pregando mesmo sendo assediado nos EUA: “Se arrependam”

Um evangelista de rua foi hostilizado por um grupo de jovens enquanto pregava Jesus em um local público nos Estados Unidos. O episódio...