Muçulmano que derrubou igreja durante ataques anticristãos é condenado no Paquistão

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Cristãos no Paquistão comemoraram nesta terça-feira uma condenação histórica após um tribunal antiterrorismo responsabilizar Irfan Yousaf, operador de guindaste, por participação nos ataques contra o bairro cristão de Jaranwala, em 2023. A pena de 10 anos surge com base em provas digitais forenses que embasaram o veredito.

Yousaf é apontado como um dos responsáveis pela destruição de dezenas de casas e de igrejas, em meio a um ataque que deixou rastro de violência contra a comunidade cristã: 26 igrejas e mais de 80 residências foram depredadas. Outros 12 acusados julgados no mesmo processo foram absolvidos, o que alimenta a preocupação de que a responsabilização não seja completa.

Wahida Mukhtar, uma cristã local, gravou imagens com o celular que mostravam o guindaste demolindo parte de uma igreja e de uma casa vizinha. Peritos credenciados pelo governo autenticaram as imagens e depuseram no tribunal, fortalecendo o caso contra Yousaf.

As testemunhas cristãs enfrentaram pressão durante o processo. Um trabalhador de fábrica de tijolos foi induzido a quitar empréstimos, a lavoura de um agricultor foi envenenada e terras foram negadas por proprietários muçulmanos. Jovens perderam seus empregos e um provedor de internet viu o negócio ruir. Mukhtar, de 30 anos, também contou que sofreu ferimentos ao ser atingida por um tijolo e que, pouco tempo depois, perdeu o emprego e precisou vender equipamentos de sua academia.

O caso ganhou teor simbólico, ligado ao guindaste que servia como símbolo eleitoral do Tehreek-e-Labbaik Pakistan (TLP), partido islâmico banido, lembrando as tensões entre leis de blasfêmia e direitos religiosos. Grupos de direitos humanos e líderes cristãos destacam que a responsabilização individual não resolve as falhas sistêmicas, e questionam a continuidade de abusos e de impunidade em casos semelhantes.

Apesar de a condenação ser recebida com alívio por algumas organizações, especialistas lembram que a justiça precisa ser vista como um processo contínuo, não como um episódio isolado. Desde 2009, muitas lideranças envolvidas em ataques contra cristãos foram absolvidas ou liberadas. O que você acha que falta para que casos como Jaranwala recebam uma resposta realmente contundente? Deixe sua opinião nos comentários.

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