Tarifaço: governo Lula crê que EUA só retomará conversas após eleição

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Interlocutores do governo Lula indicam que, com a eleição presidencial ainda a aproximar-se, os EUA devem retomar negociações comerciais apenas após o pleito, mantendo a tarifa de 25% para parte das exportações brasileiras. A expectativa é de que o diálogo só volte a ganhar corpo depois do resultado eleitoral deste ano, mesmo com a pressão americana por mais abertura.

No front econômico, o governo brasileiro teve de lidar com demandas norte-americanas para ampliar o acesso a setores estratégicos. Washington pediu medidas para restringir investimentos estrangeiros em minerais críticos e terras raras por agentes fora do Hemisfério Ocidental, com menção velada à China. O pedido foi feito no início deste ano durante uma rodada de negociações de alto nível, mas o Brasil rejeitou a proposta por considerá-la inadequada para suas prioridades.

Simultaneamente, autoridades dos EUA também empurraram pela abertura total do setor químico brasileiro, pela redução de tarifas a zero sobre bens industriais e por maior acesso ao mercado automotivo, entre outras exigências. O governo brasileiro não aceitou tais propostas, apontando riscos a setores nacionais sensíveis.

Mesmo com a tarifa a entrar em vigor na próxima semana, a orientação do Executivo tem sido ampliar a lista de isenções — já são mais de 2 mil categorias que ficam fora da cobrança. No curto prazo, porém, não há sinal de disposição dos EUA para avançar nesse diálogo, segundo fontes próximas ao assunto.

Influência de Rubio A conversa pública também ficou marcada pela atuação de uma ala ideológica do Departamento de Estado, liderada por Marco Rubio. Em junho, após encontro com Trump na Casa Branca, Rubio disse estar pronto para colocar a equipe de transição à disposição. O governo brasileiro reagiu, com Mauro Vieira chamando as declarações de “inaceitáveis e ofensivas” e lembrando que as tarifas atingem o Brasil de forma econômica e política. A leitura no Planalto é de que há uma influência considerável dessa linha mais dura nas decisões de retaliação desde o primeiro tarifazo.

Tarifa contra produtos brasileiros— Na prática, o governo anunciou que aplicará a tarifa de 25% a determinados itens a partir de 22 de julho. O Brasil tentou abrir negociação, mas o diálogo não resultou na reversão das taxas. O governo chinou-se ao meotodo de retaliação com a Lei de Reciprocidade e levará o tema à OMC, conforme o comunicado oficial. Entre as exceções, constam itens como café, mel orgânico, aço, carne bovina, laranja e terras-raras; já entre os taxados aparecem etanol, máquinas agrícolas, calçados, vestuário, químicos, papel e açúcar, entre outros.

Relação entre Lula e Trump O tom tem sido cauteloso. O governo brasileiro não prevê contato direto imediato entre os dois líderes e aguarda posicionamento explícito de Trump para qualquer comentário público sobre a tarifa. Lula também sinalizou que pretende “guerra de narrativa” para defender o ponto de vista brasileiro, ressaltando que o diálogo entre Brasil e EUA deve seguir com pragmatismo e respeito mútuo, sem abrir mão dos interesses nacionais.

Em síntese, a relação Brasil–EUA é tratada com pragmatismo: negociadores insistem em manter canais abertos, mas com a prudência necessária para evitar prejuízos a setores estratégicos do Brasil. As próximas semanas devem esclarecer se haverá abertura de espaço para diálogo efetivo ou se as medidas previstas manterão o embate até o desfecho eleitoral.

E você, qual caminho acredita ser o mais adequado para o Brasil enfrentar pressões tarifárias e manter o diálogo com os EUA? Compartilhe suas opiniões e coloque seus pontos de vista nos comentários.

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