Distrito Federal: a Capela Santo Atanásio, em Ceilândia, mantém a missa tridentina em latim, ligada à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, mesmo após a excomunhão decretada pelo Vaticano. O episódio evidencia o choque entre tradições litúrgicas e a autoridade da Igreja Católica.






Localizada na QNO 19, Ceilândia, a capela é conhecida pela missa tridentina — em latim — preservando ritos anteriores ao Concílio Vaticano II. Ligada à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, a comunidade reúne fiéis para uma celebração que, segundo o Metrópoles, contou com cerca de 30 pessoas na noite de quinta-feira.
Logo na entrada, as regras de vestimenta chamam atenção: véus brancos para mulheres solteiras e mantilhas para casadas e viúvas; mulheres ainda cobrem a cabeça, como marca de respeito. O clima é de reverência, com quem chega se preparando para o rito, o silêncio dominando o ambiente e os livretos ajudando a acompanhar as orações em latim e português.
Ao lado do altar, o padre Francisco Costa atende os fiéis que desejam se confessar antes da missa, enquanto a comunidade segue uma liturgia centrada no altar, com o sacerdote voltado para ele durante grande parte da celebração. O momento culminante é a consagração, quando olhos e corações se mantêm fixedos no sagrado.
Foi anunciada a excomunhão do padre e de toda a comunidade ligada à Capela Santo Atanásio após as sagrações episcopais realizadas em 1º de julho sem autorização papal. O Vaticano afirmou que a ação violou o Código de Direito Canônico, configurando cisma, enquanto a Arquidiocese de Brasília informou que os sacramentos administrados no local são inválidos.
O padre Costa, por sua vez, diz que continuará exercendo seu ministério e que não houve ruptura com a Igreja Católica. A FSSPX sustenta a preservação das tradições e que as excomunhões são inválidas. Uma fiel, que participa há um ano, afirma que, embora o latim cause estranheza no começo, os livretos permitem acompanhar a missa de forma profunda.
“Estou fazendo um cursinho de latim para conseguir acompanhar com mais calma, mas, com o ordinário da Santa Missa, a gente consegue seguir a celebração porque o texto está em latim e em português.”
Para muitas frequentadoras, a prática de celebrar de costas para a assembleia — com o sacerdote voltado ao altar — simboliza o sacrifício de Jesus e a participação da comunidade no mistério da fé. Mesmo com o conturbado contexto, há quem veja valor espiritual na liturgia tradicional e na busca por uma forma de adoração que reconhece a história da igreja.
E você, leitor? O que pensa sobre a missa em latim e a continuidade de comunidades tradicionais diante de conflitos com a autoridade da Igreja? Compartilhe sua leitura nos comentários e conte como essas tradições influenciam sua visão de fé.
