Dia do Estudante: IA transforma salas de aula no Brasil

Escrito por: Diógenes Cunha

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Resumo: No Brasil, o Dia do Estudante reacende o debate sobre IA na educação, com dados da ABMES e Fundação Itaú/Equidade.Info indicando adesão crescente entre universitários e estudantes da educação básica. O CETIC.br aponta barreiras institucionais, e a Lei 15.100, de 2025, proíbe celulares em escolas. Especialistas alertam para riscos de descarregamento cognitivo e defendem uso crítico da IA.

O Dia do Estudante, celebrado em 11 de agosto, rememora uma relação histórica entre o Brasil e a educação, que teve início na década de 1820, quando Dom Pedro I criou os primeiros cursos jurídicos no Brasil, em São Paulo e Olinda, em um cenário de acesso ao conhecimento amplamente restrito.

Hoje, a inteligência artificial já é presença cotidiana nos estudos. Em universidades, estima-se que entre 52% e 71% dos estudantes já utilizem IA em suas rotinas. Segundo a Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (ABMES), 29% recorrem à ferramenta diariamente e 42% semanalmente, principalmente para compreender conceitos e elaborar rascunhos.

Na educação básica, o cenário é similarmente expressivo. Uma pesquisa conduzida pela Fundação Itaú e pelo Equidade.Info, entre novembro e dezembro de 2024, mostrou que 8 em cada 10 alunos já utilizaram ferramentas como ChatGPT, Gemini ou MidJourney. Desses usos, 84% referem-se a fins de estudo e 90% para pesquisar e tirar dúvidas. O Ensino Médio apresenta maior adoção (?29%) do que o Ensino Fundamental (?13%).

Em contrapartida, a entrada da IA nas escolas enfrenta entraves institucionais. A Pesquisa TIC Educação 2025, do CETIC.br, indica que, ainda que a IA já integre a rotina de mais da metade dos gestores, apenas 37% das escolas permitem o uso da tecnologia em atividades educacionais.

Um tema-chave do debate envolve o impacto cognitivo. Especialistas alertam para o risco de descarregamento cognitivo quando a IA substitui tarefas, em vez de atuar como ferramenta de apoio. O pesquisador Rafael Sampaio, da UFPE, afirma que o uso excessivo pode melhorar resultados de testes a curto prazo, mas dificultar a retenção de conhecimento em provas repetidas, caso o aluno dependa demais da máquina.

No Ensino Médio, relatos semelhantes aparecem entre educadores, reforçando a necessidade de políticas que orientem o uso responsável da IA no currículo. Especialistas concordam que a IA tem potencial pedagógico, desde que integrada de forma crítica, com foco no desenvolvimento do pensamento autônomo e na avaliação pedagógica.

Resumo: Estudo da Fundação Itaú analisa o uso de IA na educação brasileira, com relatos de alunos e docentes. Há apoio à IA no planejamento e na produção de materiais, mas também preocupações com dependência e com a propagação de fake news. O debate inclui a necessidade de atualização curricular e a ideia de co?inteligência entre humanos e máquinas.

Brasil — Um estudo divulgado pela Fundação Itaú avalia o papel da inteligência artificial no ambiente educacional, reunindo relatos de estudantes e professores sobre benefícios, riscos e caminhos para a formação do futuro.

Sofia Barreto, aluna do ensino médio, aponta que a avaliação contemporânea, centrada em entregas, incentiva o uso da tecnologia como atalho para cumprir atividades, em detrimento de um aprendizado mais profundo. “A IA não estimula o seu aprendizado, só garante a entrega da atividade”, afirma.

A maior preocupação de Sofia, segundo ela, é que muitos estudantes fiquem dependentes da ferramenta e não desenvolvam habilidades para o vestibular e o mercado de trabalho. “Não sinto que a escola tenha se preparado para um mercado dominado pela IA”, completa.

Perigos digitais não passam despercebidos: a Fundação Itaú mostra que 54% dos alunos reconhecem que a IA pode representar perigo quando usada sem regras, e 75% reconhecem o risco de criação de notícias falsas (fake news).

Professores e co?inteligência — o estudo aponta que apenas 21% dos docentes brasileiros nunca utilizam IA, enquanto 84% citam a IA como apoio no planejamento de aulas e 76% a utilizam na criação de materiais pedagógicos.

Além disso, há consenso entre educadores e gestores de que o currículo precisa acompanhar as inovações: 84% dos professores e 90% dos gestores concordam que o formato curricular deve incorporar a interação crítica com IA, e 62% dos docentes defendem módulos sobre o tema em formação contínua.

Para avaliar estudantes, alguns professores já mudam a prática. O biólogo Jorge Dias diz que, em apresentações, é exigido que o aluno traga várias fontes e uma pesquisa sólida, sob pena de desempenho insatisfatório.

No ensino superior e na pesquisa, a ética ganha ainda mais relevância. O professor Rafael Sampaio defende o conceito de co?inteligência, em que a IA atua como provocadora, não como autora. “O artigo não é apenas um relato; envolve uma série de decisões. A escrita é a etapa final, a materialização da pesquisa”, afirma. “Se você teve as ideias, questionou, analisou, a IA ajuda a identificar lacunas e oferecer novas perspectivas — o processo científico é incrementado, não degradado.”

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