Resumo rápido – Lula adota tom mais firme sobre as investigações envolvendo o filho Lulinha, em meio a três inquéritos no STF por possível tráfico de influência. Lobista Roberta Luchsinger é mencionada nas apurações; campanha coordena discurso com Raul Rabelo, com sabatina no Jornal Nacional prevista.
Lago Sul, Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu endurecer o tom ao tratar das suspeitas envolvendo o filho Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, buscando afastar o desgaste eleitoral causado pelas investigações que miram suspeitas de tráfico de influência. Integrantes da campanha afirmam que o petista está convencido da necessidade de ser mais incisivo ao afirmar que não vai tentar interferir nas investigações.
Lula passará a reforçar que “ninguém está acima da lei” no governo dele e que não irá trocar delegado ou investigadores para beneficiar o filho. Com o avanço das apurações, que apontam para a atuação de Lulinha em parceria com uma lobista, o tema se tornou um dos pontos mais vulneráveis da sua campanha à reeleição.
Nas declarações, Lula tentará comparar sua atuação com a do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que em reunião ministerial em 2020 afirmou que trocaria até o ministro da Justiça, Sérgio Moro, para proteger a família. O presidente também deverá ser mais enfático ao afirmar que quem errou, que pague, sem deixar de reforçar que todos têm direito à defesa. A mudança no tom está prevista para ocorrer durante sabatina ao Jornal Nacional, na quinta-feira.
Lulinha está sendo investigado em três inquéritos em andamento no STF por suspeita de tráfico de influência no governo federal. Uma das linhas seguidas pelos investigadores é a relação com a lobista e empresária Roberta Luchsinger, que tentou fechar contratos com a União. Os dois são amigos, e a relação já foi questionada por Lula em conversa com o filho. Um dos inquéritos envolve discussões de um contrato para fornecimento de medicamentos à base de cannabis. O contrato não foi fechado pelo Ministério da Saúde.
A modulação do discurso já havia sido feita, mas agora a ideia é ser ainda mais duro. Em 14 de agosto, em entrevista ao podcast Não Inviabilize, Lula evitou declarar a inocência do filho, dizendo que só ele “sabe a verdade.”
Antes um tabu dentro da campanha petista e motivo de divisão entre aliados, as suspeitas envolvendo Lulinha passaram a ser discutidas abertamente no QG da campanha nesta semana. Na terça-feira, Lula passou a tarde gravando programas em uma mansão no Lago Sul onde funciona o comando da comunicação, acompanhado pelo marqueteiro Raul Rabelo, o presidente do PT, Edinho Silva e o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira.
Integrantes do núcleo de coordenação afirmam que não há como fugir do tema e que Lula passará a tratá-lo sem melindres. Petistas admitem que, em meio à disputa com Flávio Bolsonaro (PL), as suspeitas envolvendo Lulinha e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, colocaram Lula em uma situação constrangedora no momento em que o petista busca o quarto mandato.
Resumo: Lula defende a independência dos mecanismos de investigação do governo e o fortalecimento de instituições de controle, ampliando as investigações, sem levar em conta a proximidade com o presidente; a fala também aponta que a corrupção existe em diversos setores; a estratégia da campanha inclui desgastar Flavio Bolsobaro e explorar vínculos com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, com ataques previstos nas redes sociais e na TV.
Em entrevista à Record TV neste fim de semana, o presidente Lula ressaltou a necessidade de reforçar a independência dos mecanismos de investigação do governo, o fortalecimento de instituições de controle e a ampliação das investigações, independentemente de qualquer proximidade com o chefe do Executivo.
Ele também registrou que ninguém está autorizado a usar seu nome ou suas relações, sejam de amizade ou parentesco, para qualquer finalidade, reiterando a defesa de limites claros nesse âmbito.
A fala aponta que a corrupção é “algo quase incontrolável”, presente “em qualquer lugar, na empresa, no governo, em time de futebol”. O ex-presidente afirmou que temos uma capacidade de investigação como jamais houve no país, citando que o MJ e a PF sabem que precisam investigar. Segundo Lula, todos têm direito de trabalhar com maior liberdade possível.
No terreno político, a divulgação sugere que a campanha busca superar a fase de ataques a Lulinha e mira os vínculos entre Flavio Bolsobaro e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Os ataques devem se intensificar nas redes sociais e na propaganda eleitoral na TV.
