Estudo com polipílula para prevenir AVC recrutará 8,5 mil voluntários

Escrito por: Diógenes Cunha

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Resumo: Brasil inicia testes da primeira polipílula nacional contra AVCs e doenças cardiovasculares. Serão recrutados 8,5 mil voluntários por até 4 anos, com fase inicial em Porto Alegre e expansão para 14 centros no país, incluindo a Bahia. A fórmula combina rosuvastatina 10 mg, valsartana 80 mg e amlodipina 5 mg, visando reduzir AVC, demência e mortalidade por circulatórias.

Porto Alegre, Rio Grande do Sul — Pesquisadores brasileiros anunciaram o início do recrutamento de voluntários para avaliar a eficácia da polipílula desenvolvida no país, destinada a prevenir AVC e outras doenças cardiovasculares. O projeto, que começou no fim de 2025, pretende reunir 8,5 mil participantes ao longo de três a quatro anos, com a primeira fase ocorrendo na capital gaúcha e a expansão para 14 centros de pesquisa distribuídos pelo país, incluindo a Bahia.

A polipílula é uma combinação de rosuvastatina 10 mg, valsartana 80 mg e amlodipina 5 mg, formulada para ser tomada em dose única diária, simplificando a adesão ao tratamento.

A primeira fase de testes em humanos foi considerada bem-sucedida, abrangendo 370 pessoas em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, entre 2020 e 2023.

A pesquisa é conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento, na capital gaúcha, em parceria com o Ministério da Saúde, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). O trabalho é realizado junto com unidades de atenção primária à saúde e secretarias de saúde.

A coordenação do estudo fica a cargo da neurologista Sheila Martins, chefe do Serviço de Neurologia e Neurocirurgia do Hospital Moinhos de Vento. Em entrevista à Agência Brasil, ela destacou as expectativas com a eficácia do tratamento em pessoas de baixo e médio risco.

Adesão da população é apontada como fator decisivo para a qualidade dos resultados, segundo a pesquisadora. “Quanto maior o número de participantes, mais robustas serão as evidências geradas e maior o potencial de orientar futuras políticas públicas de prevenção”, afirmou à Agência Brasil.

Recrutamento e centros — Os voluntários precisam ter entre 50 e 75 anos, nunca terem sofrido AVC ou infarto e não utilizarem medicamentos para colesterol, hipertensão ou diabetes. A participação é gratuita e inclui acompanhamento médico periódico. O recrutamento ocorre em 14 centros de AVC espalhados por São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Distrito Federal, Bahia, Pernambuco e Acre, com outros centros nacionais em processo de integração.

Desenho do estudo prevê randomização entre dois grupos: um grupo receberá a polipílula e o outro um placebo (polipílula sem medicação ativa). Ao longo de cerca de três anos, será avaliada a redução do risco de AVC, demência e declínio cognitivo; como desfechos secundários, espera-se verificar redução de infarto, insuficiência cardíaca e mortalidade por doença circulatória.

Para informações sobre participação, é possível entrar em contato por telefone ou WhatsApp no número (51) 99935-6911. O projeto também disponibiliza o aplicativo Riscômetro, que permite ao paciente estimar seu risco de AVC, infarto ou doença circulatória e acompanhar a evolução do risco.

Crédito: Agência Brasil, parceiro do PrimeiroJornal.

Resumo: Estudo brasileiro avalia o uso precoce de uma dose baixa de anti-hipertensivo (polipílula) para prevenir o primeiro AVC em adultos de 50 a 75 anos com pressão entre 139/121 mmHg e fatores de risco modificáveis. A medicação reduziria PAS em 12 mmHg e o colesterol em 40 mg/dL, aumentando a prevenção. Dados globais apontam alta mortalidade por AVC; 90% dos casos seriam evitáveis com controle de fatores de risco, especialmente hipertensão.

– Local: Brasil; – Atualidade: apresentações em congressos internacionais; – Tema: prevenção do AVC por meio de intervenção farmacológica precoce em hipertensão.

No Brasil, estudos recentes avaliam o uso precoce de uma dose baixa de medicamento anti-hipertensivo, em formato de polipílula, para prevenir o primeiro acidente vascular cerebral (AVC) em adultos de 50 a 75 anos com pressão arterial entre 139/121 mmHg e com fatores de risco modificáveis. A pesquisa, apresentada em congressos internacionais, aponta quedas de 12 mmHg na PAS e 40 mg/dL no colesterol, sugerindo maior proteção contra o AVC.

De acordo com dados do Portal da Transparência do Registro Civil, 89.490 brasileiros morreram em decorrência do AVC no último ano. Globalmente, a Organização Mundial do AVC estima que o número de mortes pela doença pode crescer até 50% nas próximas décadas, passando de 6,6 milhões de óbitos em 2020 para cerca de 9,7 milhões em 2050. A hipertensão é apontada como o principal fator de risco.

90% dos casos podem ser prevenidos se houver controle dos principais fatores de risco, destaca a médica, com a hipertensão no topo dessa lista.

A pressão arterial considerada de risco para AVC começa a aumentar a partir de 115 mmHg de PAS e 75 mmHg de PAD. PAS é a pressão no momento em que o coração se contrai; PAD ocorre no início do ciclo cardíaco. A leitura é medida em milímetros de mercúrio (mmHg).

Sheila Martins aponta que, geralmente, pessoas com pressão levemente elevada recebem orientação para mudar o estilo de vida, reduzir o sal na alimentação, praticar atividade física e evitar álcool em excesso. A prescrição de medicação costuma ocorrer a partir de 140 x 90 mmHg.

Ela também comenta que, como o risco de AVC aumenta com uma pressão acima de 115 x 75, há uma mobilização global para avaliar se não seria necessário iniciar a medicação mais cedo.

“O estudo é para evitar o primeiro AVC, usando uma primeira polipílula brasileira em pessoas que apresentem pressão máxima de 139 e mínima de 121 mmHg, com 50 a 75 anos de idade, e que tenham, pelo menos, um dos fatores de risco modificados, como obesidade, sedentarismo, alimentação não saudável e fumo”, explicou a pesquisadora.

Pessoas nessa faixa de pressão, que não utilizam remédios para hipertensão, diabetes ou colesterol alto, correspondem a aproximadamente 85% dos casos de AVC no mundo, descreve a neurologista do Hospital Moinhos de Vento.

“São indivíduos de baixo e médio risco que têm uma enorme possibilidade de prevenção”, reforça a especialista.

Os primeiros resultados apresentados pelos pesquisadores em congressos internacionais indicam que a medicação, em dose baixa, reduz a pressão em 12 mmHg. Assim, uma pessoa com 139 mmHg de PAS poderia cair para 127 mmHg. Além disso, o colesterol também tende a recuar, em torno de 40 mg/dL, conforme a médica.

Os impactos indicados sinalizam uma estratégia promissora para a prevenção do AVC, especialmente em populações com fatores de risco modificáveis, ainda sem mudanças consistentes de tratamento para todos os casos de hipertensão.

Resumo: Estudo nacional com 8.500 participantes em várias regiões do Brasil avalia uma polipílula de três comprimidos para hipertensão. Resultados da fase piloto apontam boa tolerabilidade e redução da pressão arterial. Em expansão, pesquisadores visam disponibilizá-la pelo SUS. A fórmula foi criada por um comitê executivo nacional, com apoio de um comitê internacional de especialistas em AVC e hipertensão na Austrália, EUA e Inglaterra.

Um estudo nacional com 8.500 participantes, distribuídos em diversas regiões do Brasil, analisa uma polipílula de três comprimidos para hipertensão. A liderança fica a cargo de um comitê executivo nacional, guiado por uma neurologista, acompanhado por um comitê internacional que reúne renomados especialistas em AVC e hipertensão na Austrália, Estados Unidos e Inglaterra.

Na fase piloto, a combinação demonstrou boa tolerabilidade e redução da pressão arterial, apontando para impactos potenciais na gestão da doença. A equipe descreve resultados promissores que embasam os próximos passos da pesquisa.

Segundo Sheila Martins, a expansão é o principal objetivo no momento: “Agora, a gente está na expansão, que é o que importa. Ou seja, se ela reduz AVC, reduz demência, diminui doenças circulatórias e morte cardiovascular.”

A meta, ainda de acordo com a pesquisadora, é que o medicamento seja produzido em escala maior e possa disponibilizar-se para quem já tem pressão alta. Martins acrescenta que o formato único de três comprimidos em um facilita o uso e pode ampliar o acesso, especialmente se aprovado para uso público.

A fórmula da polipílula foi criada por um comitê executivo nacional, sob liderança da neurologista, em conjunto com um comitê internacional de especialistas do AVC e da hipertensão, com representantes da Austrália, Estados Unidos e Inglaterra. O objetivo é consolidar o estudo e promover a disponibilidade em cenários clínicos de alta demanda, incluindo o sistema público de saúde brasileiro.

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