Caso Master: associações de servidores investigadas possuem carteira de investimentos de R$ 1 bilhão na Bahia

Escrito por: Diógenes Cunha

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Resumo: Asteba e Asseba, associações de servidores baianos ligadas ao empresário Augusto Lima, teriam mais de 103 mil autorizações de desconto em contracheques em 2025, com carteira estimada em R$ 1 bilhão. A Polícia Federal investiga fraudes no Banco Master, com informações veiculadas pela Folha de S. Paulo a partir de inquérito policial. MPF acompanha a relação entre as entidades e Lima; BC também foi questionado.

Palavras-chave: Asteba, Asseba, Augusto Lima, Banco Master, BRB, PF, Folha de S. Paulo, Bahia, fraudes, contracheques

Extremo Sul da Bahia — As associações Asteba e Asseba, ligadas ao empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, teriam, juntas, mais de 103 mil autorizações de desconto em contracheques de servidores baianos em 2025, em uma carteira estimada em R$ 1 bilhão.

A informação foi divulgada nesta quinta-feira (17) pela Folha de S. Paulo, com base em dados do inquérito da Polícia Federal que apura fraudes no Banco Master, cujo sigilo foi rompido na semana anterior.

As duas entidades tiveram mandados de busca e apreensão na operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025, após investigações sobre créditos consignados que teriam relação com as operações do Master.

Inicialmente, o Master informou ao Banco Central que as associações estavam na origem de créditos consignados que integravam uma carteira de R$ 6,7 bilhões vendida ao BRB.

Posteriormente, o Master passou a apontar a empresa Tirreno como originadora dos créditos. O inquérito da PF atribui a Augusto Lima a elaboração de carteiras fraudulentas e estima, por meio de auditoria, um prejuízo de pelo menos R$ 5 bilhões ao BRB pela aquisição desses ativos.

Lima negou as acusações, afirmando que o Master se manifestou de forma equivocada junto ao Banco Central e que nunca autorizou ou assinou qualquer documento ligando as entidades a créditos do Master. Ele ficou conhecido por ter transformado o Credcesta em cartão de benefício consignado; para as associações, os descontos não eram empréstimos consignados, mas mensalidades e serviços, conforme dados do governo da Bahia.

Os créditos vendidos ao BRB teriam sido vinculados às associações em comunicado do Master ao BC feito em 25 de maio de 2025. O BC questionou a ação, que envolveu CPFs de diferentes estados e apresentou movimentação financeira não condizente com o volume das cessões, segundo fontes que acompanham o caso.

Em 2025, a Asteba somou 52.176 autorizações de desconto, e a Asseba 51.111, ainda conforme a apuração. O valor total das carteiras foi estimado em R$ 1 bilhão, apesar de o relatório da PF mencionar uma base de R$ 6,7 bilhões atribuída às entidades.

Com os questionamentos, o Master passou a apontar a Tirreno como originadora dos créditos. Mesmo diante de inconsistências, o grupo vendeu as carteiras ao BRB entre janeiro e maio de 2025 por R$ 12,2 bilhões, incluindo um prêmio de R$ 5,5 bilhões.

O MPF também investiga a relação entre Asteba, Asseba e Augusto Lima. Relatórios indicam que as entidades teriam sido criadas e controladas por Lima, que, mesmo após deixar a presidência da Asteba em 2008, manteria o controle por meio de terceiros. Entre os indícios está o uso do mesmo email para as entidades e para a Terra Firma da Bahia.

As associações prestam serviços como planos odontológicos, compras de celulares e assistência jurídica. Até o momento, não houve resposta das entidades; a Secretaria da Administração da Bahia (Saeb) informou que não se manifestaria sobre contratos de cooperação com as entidades.

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