Lula pode marcar reunião com prefeito de Nova York em visita aos EUA

Escrito por: Diógenes Cunha

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Resumo: Lula viaja a Nova York para a 81ª Assembleia Geral da ONU; agenda inclui encontros bilaterais, discurso de abertura e defesa da reforma da ONU.
Possível encontro com Zohran Mamdani, Itamaraty não confirma todos os encontros; comitiva conta com Mauro Vieira e ministros; Aliança Global contra Fome e Pobreza soma 215 membros.

Nova York, EUA – O Ministério das Relações Exteriores (MRE) informou nesta quarta-feira (16) os detalhes da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, nos próximos dias. A comitiva brasileira permanece voltada a encontros bilaterais, ao discurso de abertura e a temas de cooperaç?o internacional, com foco em reformas da ONU e no fortalecimento do multilateralismo.

Entre as expectativas, está a possibilidade de um encontro entre Lula e o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, que assumiu o cargo no início deste ano. Mamdani é descendente de imigrantes, tornou-se o primeiro muçulmano a chefiar a cidade e se identifica como socialista, defendendo pautas como moradia acessível, congelamento de aluguéis, transporte público gratuito e políticas para reduzir o custo de vida.

O Palácio Itamaraty informou que houve um pedido de encontro bilateral por parte do prefeito, além de uma lista de outros pleitos, mas a reunião com Lula ainda não está oficialmente confirmada pelo Brasil.

Discurso de abertura – Lula e sua comitiva desembarcam em Nova York no domingo (20). No dia seguinte, o presidente brasileiro terá uma agenda dedicada a encontros bilaterais com autoridades e chefes de Estado. Na terça-feira (22), ele se reunirá com o secretário-geral da ONU, António Guterres, e participará do plenário da Assembleia Geral, que tradicionalmente recebe o pronunciamento de abertura do chefe de Estado brasileiro. O tema deste ano é “Restaurando a confiança, administrando transformações: uma ONU que produza resultados para todos”.

O conteúdo do discurso ainda está sendo elaborado, mas o presidente deverá reforçar posições históricas do Brasil em defesa da reforma da ONU, do multilateralismo, da promoção da paz e da cooperação bilateral, além de reafirmar o combate à pobreza e à fome.

“Nossa expectativa é que ele [discurso] contenha, em função do momento em que vivemos, uma defesa forte do multilateralismo como linha básica da política externa brasileira, nesse momento em que os conflitos se multiplicam a nível internacional”, destacou o embaixador Carlos Márcio Bicalho Cozendey, secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do MRE.

Comitiva brasileira – Segundo o MRE, a delegação contará com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e os ministros Esther Dweck (Gestão e Inovação em Serviços Públicos), Eloy Terena (Povos Indígenas) e Rachel Barros de Oliveira (Igualdade Racial).

Além disso, Mauro Vieira deverá presidir uma reunião da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa lançada pelo Brasil durante a presidência do G20 em 2024, para articular governos, organismos internacionais, instituições financeiras e organizações da sociedade civil no enfrentamento da miséria em larga escala. A aliança já reúne mais de 215 membros, incluindo mais de 100 países.

A divulgação não especifica se o encontro com Trump ocorrerá, e o Itamaraty afirmou que não há confirmação de tratativas desse encontro. O presidente dos EUA é o segundo a falar, após Lula, e há possibilidade de interação informal entre eles nos bastidores do plenário. No ano anterior, os dois chegaram a trocar uma breve conversa após discursos, gerando boa impressão mútua.

A agenda oficial da comitiva brasileira também prevê participação de outros integrantes do governo e reforço à cooperação bilateral com nações presentes na ONU, em linha com as prioridades de política externa destacadas pela gestão atual.

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