78% das mulheres brasileiras já sofreram algum tipo de violência, segundo estudo conduzido pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, com apoio da Uber.
98% adotam estratégias para reduzir riscos no cotidiano.
A pesquisa, com 1,5 mil entrevistados entre 22 e 30 de abril de 2026, será apresentada no 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, no painel “(In)segurança das Mulheres e Mobilidade”.
Brasil vive uma percepção de insegurança entre as mulheres, conforme a pesquisa “Segurança das Mulheres: Percepção da Sociedade Brasileira sobre Violência” realizada pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, com apoio da Uber. O estudo aponta que 78% das mulheres já foram vítimas de algum tipo de violência e que 98% adotam estratégias para reduzir riscos no cotidiano. Os dados serão apresentados nesta quarta-feira (16) no 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, no painel “(In)segurança das Mulheres e Mobilidade”.
MULHERES RELATAM MAIOR SENSAÇÃO DE INSEGURANÇA
Entre as entrevistadas, 94% disseram sentir-se inseguras diante da violência no dia a dia, frente a 84% entre os homens. A preocupação também se estende aos deslocamentos pelas cidades: 94% das mulheres e 90% dos homens temem sofrer violência durante o trajeto.
Maíra Saruê, diretora de Pesquisa da Locomotiva, explicou à Agência Brasil que a percepção de insegurança está ligada a experiências concretas de violência e que o receio molda a forma como as mulheres circulam pelos espaços urbanos, influenciando inclusive o acesso a oportunidades.
VULNERABILIDADE E FORMAS DE VIOLÊNCIA
A pesquisa aponta que as mulheres são vistas pela população como mais vulneráveis a diferentes formas de violência — doméstica, sexual, psicológica e física. Entre as entrevistadas, seis em cada dez apontaram a violência doméstica como fonte de preocupação.
ESPACOS E SEGURANÇA
Bares, festas, baladas e locais de transporte público aparecem entre os espaços considerados menos seguros. O levantamento aponta que 41% das mulheres não se sentem seguras em bares, festas e baladas; 42% em pontos de ônibus e estações; e 33% no transporte público.
Maíra Saruê também enfatizou que mulheres e homens vivenciam a cidade de forma distinta e que essa percepção de insegurança interfere no modo como as mulheres ocupam espaços e, por consequência, no seu acesso a oportunidades.
ESTRATÉGIAS PARA EVITAR SITUAÇÕES DE VIOLÊNCIA
A pesquisa mostra que 98% das mulheres adotam ao menos uma medida para reduzir o risco de violência. A estratégia mais citada é evitar determinados locais, mencionada por 90% das entrevistadas.
Outras ações incluem não compartilhar informações pessoais ou localização nas redes sociais (88%), evitar usar o celular na rua (84%), avisar alguém sobre deslocamentos e horários (83%) e evitar sair à noite (83%).
Resumo: 80% evitam apps bancários na rua; 77% compartilham localização com pessoas de confiança; 62% mudaram hábitos de lazer; 78% dizem que propostas de combate à violência influenciarão o voto; 95% reforçam a necessidade de ampliar canais de denúncia e 93% destacam melhorias na infraestrutura urbana. (Fonte: Agência Brasil, parceira do PrimeiroJornal)
Uma pesquisa divulgada pela Agência Brasil, parceira do PrimeiroJornal, aponta que o medo da violência inspira mudanças profundas no cotidiano das mulheres, impactando desde deslocamentos até decisões profissionais. A diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, Vera Vieira, destaca que os resultados mostram a insegurança como uma variável presente na maior parte das escolhas diárias.
Comportamentos observados no levantamento indicam que 80% das entrevistadas evitam o uso de aplicativos bancários na rua e 77% compartilham a localização com pessoas de confiança. Também aparecem mudanças em trajetos: 69% alteram rotas habituais; 66% recorrem a carros ou motos por aplicativo para evitar caminhar; e 66% costumam pedir companhia ao sair de casa.
Impactos no lazer aparecem de forma expressiva: 62% modificaram hábitos de lazer e 58% deixaram de frequentar locais de que gostavam. Além disso, 56% afirmaram ter optado por algum meio de transporte em vez de caminhar, mesmo transitando por trajetos curtos.
Defesa pessoal também é tema recorrente: 27% praticam técnicas de defesa e 26% carregam itens de proteção, como spray de pimenta ou alarme pessoal.
Medo também afeta trabalho e estudos: 45% já deixaram de aproveitar oportunidades de emprego ou estudo por medo da violência; 44% consideraram mudar de bairro ou cidade para buscar maior segurança.
À Agência Brasil, Vera Vieira afirmou que os resultados indicam que a insegurança passou a orientar decisões cidadãs, levando mulheres a evitar lugares, modificar trajetos, reduzir atividades de lazer e até reconsiderar oportunidades profissionais.
Poder público e eleições: entre as entrevistadas, 73% apontam as Polícias Militar e Civil como responsáveis pela atuação na área, seguidas por governos federal e estaduais (ambos com 69%) e prefeituras (66%). Contudo, a maioria avalia de forma negativa a atuação de instituições no combate à violência: Legislativo (74%), governos estaduais (72%), Judiciário (71%) e governo federal (71%).
A segurança das mulheres também aparece conectada ao voto: 78% afirmam que propostas para enfrentar a violência influenciarão suas escolhas eleitorais. Vera Vieira defende que a segurança deve ser tratada como questão de cidadania, com ampliação de canais de denúncia, melhoria da infraestrutura urbana e políticas que reduzam desigualdades.
Opiniões sobre políticas públicas: entre as entrevistadas, 95% consideram essencial ampliar canais de denúncia e apoio às vítimas; 93% veem a necessidade de melhorar a infraestrutura das cidades (transporte, iluminação, espaços públicos); e 92% destacam a importância de políticas específicas de proteção às mulheres, educação e mudanças culturais, além da redução de desigualdades sociais e econômicas.

