Resumo
OPAS amplia o acesso ao lenacapavir para prevenção do HIV na América Latina e Caribe, abrangendo 14 países, incluindo o Brasil. O PrEP injetável de ação prolongada é administrado semestralmente e já recebeu recomendação da OMS em 2025. A iniciativa envolve fundos rotatórios regionais e transferência de tecnologia para produção local no Brasil, com cooperação técnica da OPAS, visando reduzir novas infecções até 2030.
Palavras?chave: lenacapavir, PrEP, HIV, OPAS, OMS, América Latina, Brasil, fundos rotatórios, transferência de tecnologia, prevenção.
América Latina e Caribe — A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) anunciou a ampliação do acesso ao lenacapavir para a prevenção do HIV na América Latina e Caribe, atingindo 14 países da região, incluindo o Brasil. A medida envolve a adoção da profilaxia pré-exposição (PrEP) injetável de ação prolongada, financiada por meio de fundos rotatórios regionais da OPAS e pela transferência de tecnologia para a produção local, com participação da Gilead Sciences.
Dados da OPAS indicam que ocorrem cerca de 140 mil novas infecções pelo HIV anualmente na região, reforçando a necessidade de ampliar opções de prevenção eficazes. O lenacapavir é uma profilaxia PrEP injetável de ação prolongada, administrada semestralmente. Em 2025, a OMS recomendou o medicamento como opção adicional no combate ao HIV, com ensaios demonstrando eficácia de quase 100% na prevenção da infecção.
A administração semestral, segundo a OPAS, representa uma alternativa importante para pessoas que podem enfrentar dificuldades com esquemas de prevenção de HIV de uso mais frequente.
De acordo com a entidade, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, México, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela poderão adquirir o lenacapavir por meio de fundos rotatórios regionais da OPAS.
“A nova via complementa os acordos de licenciamento voluntário que já abrangem 24 países da América Latina e do Caribe, no âmbito de uma estrutura global mais ampla de acesso, que contempla 120 países em todo o mundo”, informou a OPAS em nota.
Como parte dessa iniciativa, a Gilead Sciences, fabricante do lenacapavir, comprometeu-se a avançar no processo de transferência de tecnologia para o Brasil, com o objetivo de viabilizar a produção local do medicamento.
“O processo ainda está em desenvolvimento, e os prazos e mecanismos específicos ainda não foram definidas. No longo prazo, a ampliação da capacidade regional de produção poderá contribuir para uma maior disponibilidade do lenacapavir e para condições de aquisição mais sustentáveis”, informou a OPAS.
A incorporação do lenacapavir aos programas nacionais de combate ao HIV será realizada de forma progressiva e dependerá de processos regulatórios nacionais, protocolos clínicos, capacitação de profissionais de saúde e planejamento programático.
“A OPAS está oferecendo cooperação técnica para apoiar os países na avaliação e quantificação das necessidades, na elaboração de diretrizes, no monitoramento e na preparação dos sistemas de saúde, contribuindo para que a introdução seja baseada em evidências e adaptada aos contextos nacionais”.
O lenacapavir soma-se a outras opções de prevenção, incluindo o PrEP oral diário ou sob demanda, o cabotegravir de longa ação e preservativos, além do diagnóstico precoce e do acesso rápido ao tratamento antirretroviral.
“A disponibilidade de diversas opções de prevenção pode ajudar a atender a diferentes necessidades e preferências e favorecer abordagens de prevenção do HIV mais centradas nas pessoas”, destacou a OPAS.
“Ampliar o acesso a ferramentas eficazes de prevenção, diagnóstico e tratamento, e garantir que elas cheguem a todas as pessoas que delas necessitam é essencial para reduzir as novas infecções pelo HIV e avançar rumo à meta de eliminar o HIV como problema de saúde pública até 2030”, concluiu a organização.


Fonte: Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) / Agência Brasil
Compartilhe esse artigo:

