Sala Walter da Silveira e Cinemateca da Bahia vão reabrir em janeiro

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Morador dos Barris há mais de 20 anos, Márcio Santana Souza, 42, tem seus cantinhos preferidos no aconchegante bairro do Centro de Salvador. Entre um barzinho e outro, um pulo na Avenida Sete e outro no Dois de Julho, ele conta que sempre deu jeito de passar em um lugar especial: a Sala Walter da Silveira, que fica no Complexo da Biblioteca Central dos Barris.

Fundada em 1970,  recebeu o nome do crítico de cinema Walter da Silveira em 1986 e, ao longo dos anos, ganhou notoriedade por abrigar produções independentes e oferecer uma oportunidade de cinema de rua a preço acessível. Cinéfilo por natureza, Márcio se encontrou ali e poderá voltar a frequentar a Walter em breve, depois de um tempo fechada.

O espaço passa por uma modernização, que inclui  pintura e reconstrução das paredes e dos banheiros, regularização do piso, limpeza das salas, atualização de ferramentas de segurança e circuito elétrico. E tem previsão de reabertura em janeiro, com uma programação especial  de filmes.

“Cansei de vir aqui e assistir dois filmes de diretores que nunca tinha ouvido falar. Muitas vezes encontrava o próprio cara por aqui e tantas outras personalidades, como o professor e crítico André Setaro, que sempre passava pela sala. O cinema sempre foi parte importante da minha vida, através dele fiz amizades, conheci pessoas incríveis e dentro da Walter eu expandi esse universo”, conta Márcio, que é programador.

Cinema independente

Segundo a Diretoria do Audiovisual da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Dimas), o investimento na sala é de cerca de R$ 330 mil. Diretora da Dimas, Daniela Fernandes explica que a Sala Walter da Silveira tem a missão de promover de forma gratuita  ou acessível o acesso a conteúdos baianos, brasileiros e internacionais, com ênfase na filmografia latino-americana, através de estreias, mostras  e atividades cineclubistas.

“É fundamental o cuidado estrutural em nossos equipamentos culturais. Esses espaços são importantes  para a difusão do nosso patrimônio audiovisual e de acesso da sociedade a diversas cinematografias, principalmente cinema brasileiro e baiano”, defende Daniela .

Cineasta independente, Maurício Santana conta que a sala  dialoga diretamente com o homem que a batiza. Advogado de formação, Walter da Silveira  abandonou o direito para se dedicar ao cinema e é considerado formador da primeira geração de críticos do Cinema Novo e figura importante para Glauber Rocha e outros expoentes do movimento. A Sala Walter faz parte dos principais circuitos de cinema independente do Estado , como  o Panorama Internacional Coisa de Cinema; Mostra de Cinema e Direitos Humanos na América do Sul e Festival Nacional Imagem em 5 minutos. 

foto lLucas Malkut

A Cinemateca da Bahia possui acerto de mais de 10 mil itens (Foto:Lucas Malkut/Divulgação)

Quem também passa por requalificação é a Cinemateca da Bahia, que recebe investimentos de cerca de R$ 720 mil. O espaço detém o acervo cinematográfico mais importante do Estado, com cerca de 10 mil itens como películas, vídeos, DVDs, cartazes, fotografias, revistas, catálogos, livros e roteiros.

“Dentro da Cinemateca da Bahia está uma parte importante de nosso cinema, um material rico para jovens e experientes cineastas. Eu não sei o que seria de minha formação sem a cinemateca”, diz Maurício.

Diretora-geral da Funceb, Renata Dias recordou do incêndio que aconteceu em um galpão da Cinemateca Nacional, em São Paulo. O caso aconteceu em 2021, atingindo cerca de 300 m² de área e destruindo três salas com arquivos históricos, como parte do acervo de Glauber Rocha. Ela afirma que fazer esses investimentos, que, somados, ultrapassam R$1 milhão para a manutenção dos dois espaços, são uma maneira de responder contrariamente à negligência que levou àquele acidente. “É a contramão do que a gente estava vivendo nacionalmente”, pontua.

Ansiosa pela reinauguração, a cinéfila Olívia Matos, 27, diz que sente saudade da Walter da Silveira – seu lugar favorito na cidade. “O que faltava de tecnologia, a sala dava em aconchego e diversidade na programação. Por lá, vi de Almodóvar ao cinema noir, até o lançamento de clipe de uma de minhas bandas preferidas, a Vivendo do Ócio. O cinema de rua, acessível, é muito importante”, defende.

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