Corpo de vendedora vítima de latrocínio é enterrado: ‘Um baque absurdo’

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O cemitério Jardim da Saudade, em Campinas de Brotas, se encheu no fim da tarde desta quarta-feira (21). Ainda em estado de choque, familiares e amigos da vendedora Eliane Sanson, 52 anos, vítima de latrocínio em restaurante na Boca do Rio na terça-feira (20), foram ao local para se despedir dela. 

Durante o velório, muitos conseguiram conter a emoção, mas, na saída do corpo, o choro foi comum entre os presentes. Reação que, de acordo com um amigo da vítima, representa o estado da família.

“Estão todos revoltados, destruídos. É uma sensação de insegurança e de exposição. A ficha da família ainda não caiu. Saber que uma pessoa querida foi morta na entrada de uma confraternização é um baque absurdo”, fala ele, que preferiu não se identificar.

 

Muito abalado, André Pedreira, 45, que vivia em união estável com Eliane há 20 anos, não conseguiu falar com a imprensa. Os outros familiares também preferiram não se manifestar. Quem falou contou um pouco da surpresa com a notícia do modo como ela foi morta.

“Ela era uma pessoa querida, calma e muito tranquila. A gente ficou surpreso quando soube como aconteceu. Porém, não foi reação, ela tomou um susto mesmo. O ladrão puxou a bolsa, e ela, no reflexo, puxou de volta”, conta o amigo. Os suspeitos de terem abordado Eliane foram filmados por câmeras de segurança da área. 

Eliane não deixa filhos e há anos não só vivia com André, como também compartilhava tudo com o companheiro. “Eles eram tão apaixonados um pelo outro que sempre estavam juntos. Em viagens, encontros e saídas. Ele só não estava com ela ontem por conta do trabalho. É difícil até dizer como André está. Elenão dormiu, nem comeu praticamente. Só beliscou um sanduíche”, fala um amigo que está acompanhando André desde a notícia da morte de Eliane.

Susto
Apesar de os primeiros relatos indicarem que a vítima teria reagido ao assalto, os familiares e amigos relatam que Eliane apenas se assustou com a abordagem. Na companhia de um amigo, que chegou a tentar dar uma cadeirada nos assaltantes após a confusão começar, o ato de puxar a bolsa para si teria sido um reflexo da vendedora.

Nos casos em que há uma reação, o psicoterapeuta Iarodi Bezerra explicou ao CORREIO que ela é oriunda de uma circunstância que amedronta o indivíduo. “O assalto é um evento ameaçador,  estressante, que pode levar em algumas situações a resposta de autodefesa, motivada pela tentativa de se preservar”, inicia.

Ainda de acordo com ele, a depender do dia e de como a pessoa esteja, a reação pode ser diferente ou nem existir. “Depende bastante do estado emocional que o indivíduo estiver no momento. Outro ponto que precisa ser observado é como esse assalto se deu: se o agressor estava calmo, com arma de fogo ou não”, afirma.

Por fim, o psicoterapeuta indica também que a abordagem brusca, como aconteceu com Eliane, pode ser um vetor de reação ou reflexo da mesma natureza. “Qualquer pessoa pode reagir. O susto e a reação são da ordem biológica de autopreservação”, completa Bezerra.

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