Dino cita “harmonia dos Poderes” em voto contra emendas impositivas

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Ao se posicionar sobre o pagamento das emendas impositivas, incluindo as emendas Pix, o ministro Flávio Dino, que é o relator do caso, fundamentou sua decisão liminar utilizando o “princípio da harmonia entre os Poderes”. Isso resultou na suspensão das transferências desses recursos no âmbito da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7697.

O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou uma sessão no Plenário Virtual sobre o tema no primeiro minuto desta sexta-feira (16/8). Neste momento inicial, não será analisado o mérito da questão, apenas a confirmação ou não desses pagamentos.

Os 11 ministros da Corte devem votar até as 23h59 desta sexta-feira. O ministro André Mendonça concordou com o relator e destacou a importância da transparência nos gastos públicos.

Por sua vez, o ex-ministro da Justiça mencionou a necessidade de os Poderes trabalharem juntos em busca de soluções dentro dos limites da Constituição. Destacou ainda que haverá uma reunião entre eles para discutir o assunto.

“Está agendada uma reunião institucional com a presidência e demais ministros do Supremo Tribunal Federal, do Senado Federal, da Câmara dos Deputados, além do Procurador Geral da República e de um representante do Poder Executivo, buscando uma solução constitucional e consensual, que respeite o princípio da harmonia entre os Poderes”, avaliou.

A decisão de Flávio Dino

No primeiro dia de agosto, o ministro já havia restringido o pagamento das “emendas Pix”, permitindo sua destinação apenas a Estados e municípios representados pelos parlamentares. Além disso, autorizou as transações somente em situações de calamidade pública.

Nessa ocasião, foi concedido um prazo de 30 dias para que o Executivo e Legislativo tornassem transparentes as transferências de recursos públicos. Após a decisão, as tensões entre os Poderes se intensificaram.

As “emendas Pix” consistem em recursos públicos que os parlamentares têm o poder de encaminhar para Estados e municípios. A restrição imposta pelo ministro do STF à continuidade dos repasses se deve à falta de transparência nessas transações.

Na maioria dos casos, o montante é enviado ao destino, mas sem indicar qual parlamentar o enviou e qual era a finalidade do recurso, o que dificulta a fiscalização dos órgãos de controle para verificar se o dinheiro foi usado para o propósito público ou se houve desvio.

As “emendas Pix” estão relacionadas ao fim do orçamento secreto em dezembro de 2022, também por meio de uma decisão do STF. Surgiram antes desse evento e ganharam destaque após a interrupção do orçamento secreto pela Suprema Corte. Desde 2020, essas emendas totalizaram R$ 20,7 bilhões.

O Congresso tem desempenhado um papel crucial no orçamento por meio das emendas. No ano de 2024, elas totalizaram R$ 49 bilhões, dos quais R$ 25 bilhões foram destinados a emendas individuais. O valor foi distribuído da seguinte maneira: R$ 8,2 bilhões em “emendas Pix”; R$ 8,5 bilhões em emendas de bancada; e R$ 15,5 bilhões em emendas de comissão.

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