Loja de móveis planejados embolsa dinheiro de dezenas de clientes e fecha as portas

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Uma apuração do Metrópoles aponta que a Corazi, unidade de Taguatinga, acumula pelo menos 64 processos no TJDFT por descumprimento contratual envolvendo móveis planejados. Os casos envolvem pedidos de rescisão contratual, restituição de valores e indenizações por danos materiais e morais, somando R$ 494.531,33 em valores atribuídos às causas.

Além da unidade de Taguatinga, a matéria cita CRZ Representações Ltda e FJR Planejados, com menção ao Santander em uma das ações, relacionado a financiamento.

Entre os relatos, está o de Bruna Oliveira, empresária que contratou móveis para quatro quartos e varanda em setembro de 2024, com contrato de cerca de R$ 42 mil em 24 parcelas de R$ 1.750. Ela pagou à vista, via financiamento, e esperava entrega em novembro e montagem até dezembro de 2024, mas os prazos não foram cumpridos.

As peças chegaram apenas entre 20 e 25 de janeiro de 2025, e a montagem começou em março. O resultado foi falhas na instalação — várias peças montadas errado e itens da varanda ausentes — com atendimento pouco responsivo. Bruna afirma que a loja chegou a fechar as portas e que o prejuízo envolve atraso e instalação incompleta.

< Montaram várias peças erradas e ficaram faltando várias peças da varanda. Meu marido teve que apertar os parafusos. >

“A montagem foi concluída com falhas”, descreve a consumidora, que também aponta pendências não resolvidas e dificuldade de contato com a empresa.

“Não recebi o que foi contratado”, relata Bruna, que associa os problemas ao fechamento da loja e à ausência de solução.

Entre os relatos, Bruna aponta ainda atraso na entrega, peças ausentes e dificuldade de contato com representantes.

Nunca houve solução definitiva, segundo Bruna, que buscou medidas judiciais para suspender o financiamento.

Outra cliente citada é Fabíola Nunes, bancária que também afirma ter sido lesada após contratar a Corazi por meio de anúncios no Instagram. O contrato, firmado em março de 2025, envolveu móveis para dois quartos, sala, cozinha e lavanderia, com pagamento de R$ 51.670, correspondente a 75% do total de R$ 73 mil.

O prazo inicial era de 65 dias úteis após aprovação do projeto, com entrega prevista para a segunda quinzena de julho de 2025. Fabíola afirma que, ao acompanhar o processo, descobriu que o vendedor responsável já não trabalhava mais na empresa. O atendimento passou a ser feito por uma funcionária chamada Francione, que prometia retorno após “contato com a fábrica”,
mas com respostas vagas.

< Não recebemos absolutamente nada, nem mesmo uma única gaveta. >

Fabíola registrou reclamação no Reclame Aqui em agosto de 2025 e, ao perceber o volume de queixas, protocolou uma notificação extrajudicial buscando solução. Hoje, a consumidora move processo judicial para obter ressarcimento, citando o impacto financeiro e a necessidade de mudança sem os móveis contratados.

“Não recebemos absolutamente nada, nem mesmo uma gaveta.”

Outra consumidora, Fabíola Nunes, relata que, apesar de o atendimento ter se mantido, três datas de entrega nunca foram cumpridas e não houve qualquer entrega até o momento, o que reforça as queixas de atraso e falta de itens.

Fabíola registrou reclamação no Reclame Aqui em agosto de 2025 e, ao notar o aumento das queixas, protocolou uma notificação extrajudicial e ingressou com ação judicial. A família relata que precisou se mudar sem os móveis contratados e não consegue mobiliar o apartamento.

Mesmo com o fechamento da unidade de Taguatinga, a marca permanece presente nas redes sociais, promovendo unidades em Águas Claras e Asa Norte, além de atuação fora do DF, com CNPJs e sócios-administradores distintos para cada unidade, o que pode dificultar a responsabilização direta em certos casos.

No Reclame Aqui, a Corazi recebe a reputação “Não recomendada” e nota média de 2,9/10 nos últimos seis meses, com apenas 0% dos avaliadores afirmando que voltariam a negociar. A plataforma aponta que a empresa respondeu 93,3% das reclamações e que o tempo médio de resposta é de pouco mais de três dias. As respostas costumam ser genéricas, segundo consumidores, e eventuais soluções nem sempre resolvem as questões.

O Metrópoles entrou em contato com o sócio-administrador de Taguatinga, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.

E você, já viveu uma experiência parecida com fornecedores de móveis planejados? Compartilhe sua história nos comentários e apresente sua opinião sobre como esse setor pode melhorar o atendimento, prazos e garantia de entrega.

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