Cristãos na Nigéria vivem com medo em meio a sequestros e assassinatos

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Cristãos da Nigéria permanecem em choque após uma sequência de violências na região central, com o funeral de cristãos mortos em 28 de agosto de 2025 no Condado de Kaduna evidenciando o trauma que persiste. O reverendo Bobbo Paschal, da Paróquia de Santo Estêvão, de Kushe Gugdu, foi libertado em 17 de janeiro após 61 dias em cativeiro, sequestrado em 17 de novembro, segundo a Arquidiocese Católica de Kaduna.

O rapto ocorreu na manhã de 17 de novembro, quando Paschal se preparava para a missa. Durante o ataque, o fiel Gideon Markus foi morto e outros dois cristãos foram sequestrados e permanecem na condição de cativeiro. Moradores de Kushe Gugdu relatam que pastores fulani invadiram a aldeia, mergulhando a localidade em medo, tristeza e incerteza.

A aldeia tem sofrido ataques repetidos ao longo de muitos anos, com moradores como Innocent Yakubu descrevendo a violência como um pesadelo recorrente que destrói meios de subsistência e amplifica o sofrimento da comunidade. A cidade vive sob a constante ameaça de novas investidas violentas.

Os ataques continuaram entre janeiro e fevereiro em Aribi, Ungwan Pah, Dogon Daji e Kurmin Lemu. Em Kurmin Wali, 166 cristãos sequestrados foram libertados na madrugada de 5 de fevereiro; eles recebem atendimento médico e devem ser devolvidos às famílias após avaliação do governo de Kaduna. A libertação, segundo líderes cristãos da região, não envolveu pagamento de resgate, mas sim negociações com as autoridades.

Durante uma audiência da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos EUA em 4 de fevereiro, defensores da liberdade religiosa relataram assassinatos, sequestros e deslocamentos em massa na Nigéria. O ex-embaixador itinerante para Liberdade Religiosa Internacional, Sam Brownback, descreveu o país como linha de frente do terrorismo global, destacando o avanço de grupos islâmicos militantes pela África e pelo Oriente Médio e colocando a Nigéria no centro desse perigo para a fé cristã.

O ACLJ informou que, vinte e uma horas após protocolar uma petição na ONU sobre genocídio contra cristãos na Nigéria, mais de 517 mil assinaturas já haviam sido coletadas, com a meta de 750 mil. Sekulow afirmou que 90% de todos os cristãos mortos no mundo vivem na Nigéria, em meio a um terror constante e ataques de jihadistas, incluindo pastores fulani.

Relatórios internacionais indicam que, no norte do país, milícias extremistas islâmicas Fulani atacam comunidades agrícolas, com Boko Haram, ISWAP e outras facções atuando nos estados do norte. Um novo grupo, Lakurawa, surgiu no noroeste, alinhado à insurgência da Jama'a Nusrat ul-Islam wa al-Muslimin (JNIM), originária do Mali, ampliando a agenda islâmica radical.

Líderes cristãos na Nigéria afirmaram que ataques de pastores contra comunidades cristãs na região central são motivados pelo desejo de tomar à força as terras cristãs e impor o islamismo, já que a desertificação dificulta a criação de seus rebanhos. Em meio a esse cenário, a Lista Mundial da Perseguição 2026 da Portas Abertas aponta que a Nigéria figura entre os países com maior perseguição religiosa, com números alarmantes em comparação ao restante do mundo.

De acordo com a Portas Abertas, entre 1º de outubro de 2024 e 30 de setembro de 2025, foram registrados 4.849 cristãos mortos mundialmente por causa da fé, dos quais 3.490 (72%) eram nigerianos, elevando a Nigéria ao 7º lugar na lista dos 50 países onde é mais difícil ser cristão. A violência é mais intensa na região Centro-Norte, onde cristãos são atingidos por militias, além de ações de Boko Haram e ISWAP, enquanto o Lakurawa amplia a ameaça com ligações externas.

Com informações da Folha Gospel e The Christian Today, o quadro atual aponta para um endurecimento da violência contra cristãos na Nigéria, exigindo resposta internacional, vigilância e apoio às comunidades locais para restaurar a segurança e a dignidade dos moradores.

Como você lê esse cenário? Compartilhe seu ponto de vista nos comentários e participe da conversa sobre a proteção de minorias, direitos humanos e segurança religiosa.

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