Antes da retomada, na quinta-feira (26), de um novo ciclo de negociações em Genebra mediadas por Omã, o presidente dos EUA disse que dará prioridade à via diplomática. Em resposta, Teerã afirmou que há uma oportunidade de um acordo justo e rápido “ao alcance da mão”, desde que a diplomacia seja priorizada.
Washington intensificou as ameaças de ataque caso não haja acordo e enviou um grande dispositivo militar ao Golfo, incluindo porta-aviões, em tom de demonstração de firmeza.
Na terça-feira, o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei, classificou como “grandes mentiras” as acusações dos EUA sobre o programa nuclear do Irã, mísseis balísticos e as mortes nos protestos, citando também repressões recentes.
Na terça-feira à noite, Donald Trump afirmou, no discurso sobre o Estado da União, que Teerã já “desenvolveu mísseis que podem ameaçar a Europa” e bases americanas no exterior, além de acusar o país de trabalhar para “construir mísseis que em breve alcançarão os Estados Unidos”. Ele disse ainda que prefere resolver o problema pela diplomacia, mas não permitirá que o Irã tenha arma nuclear.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbás Arághchi, disse que há uma “oportunidade histórica de alcançar um acordo justo e rápido” desde que a diplomacia seja prioridade. Manifestantes estudantis em Teerã negam ambições nucleares militares, defendendo o uso civil da energia nuclear com base no Tratado de Não Proliferação (TNP).
O Irã e os Estados Unidos retomaram o diálogo em 6 de fevereiro em Omã, após cinco rodadas de negociações nucleares no ano anterior. Os encontros foram interrompidos pela guerra de 12 dias desencadeada por um ataque israelense, durante o qual Washington bombardearia instalações nucleares iranianas. Autoridades iranianas reconhecem mortes entre manifestantes; recursos internacionais apontam números muito superiores, com centenas de mortos somente nas últimas semanas, e os protestos universitários em Teerã continuam.
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