Um Carnaval começa quando o outro termina. É nesse modelo que o Conselho Municipal do Carnaval e Outras Festas Populares (Comcar) de Salvador e os agentes envolvidos trabalham para manter a folia.”
Para 2027, a ideia é ampliar a festa com um dia a mais, incluindo a antecipação do Pipoco, desfile gratuito de Léo Santana que antecede o início oficial do Circuito Dodô (Barra-Ondina).
Em entrevista ao Bahia Notícias, o presidente do Comcar, Washington Paganelli, comentou uma das situações mais polêmicas de 2026: a ordem do desfile dos blocos.

Foto: Mateus Pereira/GOVBA
DISPUTAS E FILA — Segundo Paganelli, o Comcar não pode impedir que artistas procurem a Justiça para reivindicar espaço na rua. O acordo segue a data de fundação do bloco, com assembleias e regras com mais de 40 anos de existência. Daniela Mercury reivindicou vaga que era do Camaleão, tentando passar na frente de Olodum, Camaleão e Coruja; houve liminar, mas o TJ-BA suspendeu a decisão após recurso.
SUPOSTA VENDA DE VAGAS — Diante da situação, surgiu a especulação sobre venda de vaga na fila de desfiles de Barra. Paganelli nega a ocorrência de venda de forma comprovável e desafia quem acusa a apresentar provas. “Se há alguém alegando algo ilícito, que apresente as provas”, disse.
Vale lembrar: em 2013, o Ministério Público foi acionado após denúncia de venda de espaço do bloco Brôder (ligado ao pentacampeão Edilson Capetinha) para o bloco Largadinho; o Comcar suspendeu temporariamente o bloco. Em 2017, houve nova investigação sobre a troca de atração entre circuitos.
GARGALO DE TRIOS — Outra queixa foi o intervalo entre trios elétricos. A cantora Anitta pediu posicionamento do prefeito sobre o tema, sugerindo maior distância entre saídas de trios para melhorar a organização e a circulação do público.

Foto: Josemar Pereira/ Bahia Notícias
Para Paganelli, aumentar o intervalo entre trios é quase inviável: com a quantidade de trios na rua, ampliar o tempo entre apresentações comprometeria a organização, abrindo espaço para mais artistas sem a devida estrutura, e poderia transformar o Carnaval em uma festa contínua sem cadência.
Ele também apontou a presença de muitos trios independentes sem atrações relevantes, destacando que blocos, ao desfilar, geram emprego, renda e impostos; trios independentes também geram empregos, mas o objetivo é manter um equilíbrio e a qualidade das atrações.
Dados do Dodô (Barra-Ondina) mostram que, no primeiro dia, dos 28 equipamentos na rua, 25 não eram blocos; 19 eram iniciativas públicas. No segundo dia, 20 trios desfilavam, apenas 7 eram blocos. A segunda-feira de Carnaval teve o dia com mais blocos na rua, com 9 desfiles.

Foto: Divulgação
No aspecto econômico, o governo municipal de Salvador investiu mais de R$ 90 milhões em 2026 para contratar atrações, com retorno de movimentação econômica superior a R$ 3 bilhões, conforme dados da vice-prefeita Ana Paula Matos.
O presidente do Comcar sugeriu que iniciativas privadas passem a bancar atrações de trios independentes, tirando o custo da prefeitura e do governo. “Se o artista se apresenta como independente, que procure uma empresa para financiar o desfile e manter o espaço onde já existe”, explicou.
O Carnaval volta a ser discutido em abril, no Fórum do Carnaval, nos dias 14 e 15 de abril, com debates entre entidades carnavalescas, empresários do entretenimento, jornalistas e agentes da folia, buscando novas melhorias para a folia.
Para completar, o Fórum do Carnaval deve discutir caminhos para aperfeiçoar a organização, a participação do setor privado e a continuidade de uma folia que continue movimentando a cidade. O que você acha que pode melhorar na próxima edição? Compartilhe sua opinião nos comentários.

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