PF investiga se desvios do INSS pagaram viagens de Lulinha

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A Polícia Federal investiga se recursos desviados do INSS foram usados para custear viagens do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, em um caso que envolve uma rede de pagamentos e uma empresa ligada a uma amiga da família. A apuração aponta cinco repasses de 300 mil reais, totalizando 1,5 milhão, feitos a uma empresa vinculada a Roberta Luchsinger, entre novembro de 2024 e março de 2025, além de pagamentos de cerca de 640 mil reais a uma agência de viagens. As informações foram divulgadas pelo Jornal Nacional, da TV Globo, e o conjunto de elementos alimenta a linha de investigação que já atinge o ambiente de fiscalização do INSS.

Esse desdobramento faz parte de um escopo mais amplo que ganhou força com a série de reportagens do portal Metrópoles, iniciada em dezembro de 2023. As investigações apontaram irregularidades ligadas à arrecadação de mensalidades de entidades de aposentados e traçaram um caminho que levou a uma abertura de inquérito pela Polícia Federal e a ações da Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, 38 matérias do portal embasaram o contorno inicial do caso, que culminou na deflagração da chamada Operação Sem Desconto em 23 de abril, levando à demissão do presidente do INSS e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.

Entre os elementos do inquérito está Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como operador do esquema de desvios. Segundo investigadores, ele realizou cinco repasses de 300 mil reais, totalizando 1,5 milhão, para uma empresa ligada à empresária Roberta Luchsinger, entre novembro de 2024 e março de 2025. No mesmo intervalo, a empresa de Roberta efetuou pagamentos que somaram aproximadamente 640 mil reais a uma agência de viagens. A coincidência gerou suspeitas de que os valores possam ter sido usados para cobrir despesas relacionadas a Lulinha, que já teria utilizado os serviços da mesma empresa. As informações foram veiculadas pelo Jornal Nacional.

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva nega qualquer envolvimento. Em nota, os advogados afirmam que o empresário “jamais recebeu qualquer valor” de Antunes ou de empresas ligadas a ele e classificam a investigação como baseada em “ilações irresponsáveis”.

Um dos trechos mais comentados envolve mensagens obtidas pela PF, nas quais aparece a expressão “o filho do rapaz” ao mencionar um eventual destinatário de mais um pagamento de 300 mil reais. As autoridades ainda buscam identificar a quem a frase se refere e se há relação com pessoas já citadas nas investigações, o que pode esclarecer se houve alocação de recursos para Lulinha.

Outra peça relevante ocorre na viagem de Lulinha a Portugal, em novembro de 2024, conforme pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela defesa. Os advogados reconhecem a viagem, afirmando que ele foi convidado pelo lobista para visitar, ao lado de Careca, uma fábrica de produtos de cannabis medicinal. A defesa sustenta que não houve negócio firmado nem confirmação de quem custeou a viagem, deixando em aberto se o financiamento partiu de Antunes ou da empresa portuguesa visitada.

Historicamente, o escândalo do INSS vem sendo analisado há anos pela imprensa e pelos órgãos de controle. As reportagens do Metrópoles ajudaram a pressionar autuariedades a abrir apurações e a acompanhar a evolução da Operação Sem Desconto, que expôs falhas institucionais e impactos políticos relevantes, com desdobramentos na estrutura de decisão envolvendo o INSS e a Previdência. A série de investigações destacou, ainda, o papel de entidades de aposentados e a necessidade de maior rigor na fiscalização de custos e repasses.

O caso continua em andamento, com as autoridades avaliando evidências, nomes e possíveis ligações entre as partes envolvidas. O cenário é de tensão institucional, alimentado pela expectativa de novos desdobramentos que possam esclarecer quem autorizou, recebeu ou repassou recursos destinados a serviços de viagem e operações associadas.

E você, o que pensa sobre esse tipo de investigação e seus impactos na confiança pública em instituições como o INSS? Deixe sua opinião nos comentários e bora debater o tema com base nos fatos apresentados.

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