Resumo: O presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), Carlos Henrique de Oliveira Passos, alertou nesta quinta-feira sobre os riscos de reduzir a jornada semanal de trabalho para o setor industrial. Em entrevista, ele destacou que a discussão vai além de formatos como 6×1, 5×2 ou 4×3 e envolve a carga horária total; hoje fixada em 44 horas, propostas que chegam a 36 horas podem exigir contratações adicionais, elevando custos e dificultando a competitividade. A comparação com mercados internacionais, especialmente a China, que pode ter jornadas de até 48 horas, reforça a necessidade de cautela. Entidades ligadas à indústria defendem negociação entre empresas e trabalhadores, com impactos avaliados com cuidado, para preservar empregos e crescimento sustentável.
Quando a gente fala jornada 6×1, diz Passos, não é possível dimensionar o problema apenas pelo formato de escalas. A verdadeira dimensão, segundo ele, é a redução da jornada semanal. “Hoje ela é de 44 horas e há propostas que chegam a 36 horas. Para manter a produção, as empresas vão ter que contratar mais pessoas. Isso parece positivo, mas a consequência é produto mais caro”, avaliou. O dirigente enfatizou que a produção, hoje, demanda planejamento e capacidade de escala; mudanças bruscas podem desbalancear custos, cadeia de suprimentos e competitividade no mercado interno e externo.
O peso da concorrência internacional foi apontado como fator decisivo por Passos. Ele lembrou que segmentos que operam com jornadas menores não resolvem sozinhos o desafio de competir com o exterior. “Os produtos competem com mercados como o da China, onde a jornada pode chegar a 48 horas semanais. Como competir com um país que trabalha mais e utiliza tecnologia avançada? Ao invés de gerar emprego, pode haver redução de postos de trabalho”, ponderou. A mensagem é clara: mudanças rápidas precisam considerar o ambiente global, especialmente em setores com exportação relevante.
Posicionamento das entidades setoriais Passos ressaltou que entidades como a FIEB e a Confederação Nacional da Indústria defendem cautela e negociação entre empresas e trabalhadores. Segundo ele, “Os países que reduziram jornada fizeram isso com acordos coletivos”. No Brasil, cada segmento tem a sua realidade, e impor mudanças de forma genérica pode não refletir as necessidades de cada setor, grupo ou região. A necessidade é de diálogo, com estudos de impacto econômico, sem pressionar leis de forma rápida ou abrupta, principalmente em tempos de incerteza econômica.
Acesso a mudanças legislativas e contexto eleitoral O presidente da FIEB também criticou a possibilidade de mudanças por via legislativa durante o período eleitoral. “Impor isso por lei, especialmente em um momento eleitoral, sem avaliar as consequências econômicas, preocupa muito o setor industrial. Queremos crescer com sustentabilidade, e uma medida radical pode afetar o equilíbrio das empresas”, concluiu. A avaliação é de que alterações da legislação trabalhista devem nascer de acordo entre trabalhadores e empregadores, com análises técnicas e projeções de curto, médio e longo prazo.
Convergência entre produtividade, empregos e inovação O debate, na visão do empresariado baiano, não pode prescindir da realidade de cada cadeia produtiva. Medidas únicas podem prejudicar a competitividade, aumentar o custo de fabricação e reduzir a capacidade de atrair investimentos. Em vez disso, o caminho apontado é a construção de soluções que promovam maior produtividade sem sacrificar empregos, com foco em inovação, qualificação da mão de obra e melhoria de eficiência. O diálogo entre indústria, trabalhadores e governo surge como condição fundamental para equilibrar ganhos de produtividade com proteção ao emprego e à renda regional.
Convidamos você, leitor, a compartilhar sua visão sobre a jornada de trabalho e o equilíbrio entre produtividade e emprego. Quais impactos você prevê para a indústria local diante de propostas de redução da carga horária? comente abaixo com seus argumentos, informações e experiências.
