Resumo: A operação Duas Rosas, deflagrada pelo Ministério Público da Bahia com o apoio do Gaeco e do Gaep, resultou na prisão preventiva do ex-deputado federal Uldurico Tavares Jr. (MDB). Mandados de busca foram cumpridos em Salvador, Camaçari, Teixeira de Freitas, Eunápolis e Porto Seguro, após investigações que apontam pagamento de cerca de 2 milhões de reais para facilitar a fuga de 16 internos do Conjunto Penal de Eunápolis, ocorrida em dezembro de 2024. A liderança do esquema é atribuída a Ednaldo Pereira de Souza, conhecido como Dada, ligado ao Primeiro Comando de Eunápolis (PCE) com vínculos com o Comando Vermelho. A apuração também envolve uso de influência política para viabilizar o crime, segundo o MP.
Além da prisão do ex-deputado, a operação incluiu buscas contra um ex-vereador de Eunápolis e um advogado, com ações distribuidas entre a capital e a região sul do estado. Todas as diligências foram autorizadas pela 1ª Vara Criminal de Eunápolis. As evidências reunidas indicam uma estrutura articulada para a evasão de detentos, conectando pessoas públicas a atividades criminosas de maior alcance na região.
O Ministério Público da Bahia sustenta que a fuga não ocorreu de forma isolada, mas dentro de uma articulação criminosa estruturada. A investigação aponta a participação de integrantes da organização criminosa PCE, apoiados por figuras políticas para manter a proteção institucional e ampliar o espaço de atuação dos criminosos na região de Eunápolis. O caso revela um grau de organização que ultrapassa o simples favorecimento, envolvendo uma rede de ações para permitir a liberabilidade de suspeitos.
O nome da operação remete ao valor estimado da vantagem indevida: a expressão rosa foi utilizada como codinome em diálogos que faziam referência a pagamentos, com expressões como “as rosas”, “quando as rosas vão chorar” ou “choram as rosas”. A codificação evidencia o planejamento financeiro por trás do suposto acordo entre criminosos e operadores políticos, reforçando a ideia de que a fuga teve apoios estruturais para ocorrer.
Na trajetória pública de Uldurico Tavares, o ex-deputado já foi eleito duas vezes. Em 2014 integrou o mandato pelo PTC, em 2018 disputou com o PPL, tentou chegar à prefeitura de Porto Seguro em 2020, mas não venceu, e em 2022 atuou como suplente do MDB na Câmara dos Deputados. O vínculo entre sua atuação política e as investigações da operação acende um debate sobre as relações entre poder local e estruturas criminosas, especialmente em cidades da região.
À medida que as investigações avançam, o MP-BA deve ampliar diligências, ouvir testemunhas e aprofundar os vínculos entre o ex-parlamentar, a organização criminosa e demais envolvidos. O caso reacende a discussão sobre mecanismos de controle e transparência na relação entre governos locais e ações ilícitas. E você, leitor, como vê a relação entre política e criminalidade na sua cidade? Compartilhe sua opinião nos comentários e participe do debate, contribuindo com suas perspectivas sobre esse tema complexo.

