MV Hondius, cruzeiro de luxo que seguia de Ushuaia, Argentina, para Cabo Verde, entra no centro de uma investigação sobre hantavírus após a primeira morte a bordo. Um vídeo divulgado nesta quarta-feira mostra o capitão Jan Dobrogowski comunicando aos passageiros que um homem holandês, de 70 anos, faleceu no dia anterior. A mensagem, segundo o navio, fazia parte do protocolo, sem confirmação de infecção.
Dobrogowski tranquilizou a plateia ao afirmar que a morte não tinha relação com doença infecciosa e que, segundo o médico, o estado de saúde dele não era contagioso. Assim, segundo ele, o navio estaria seguro do ponto de vista sanitário.
O episódio ocorre em meio à suspeita de surto de hantavírus a bordo, transmitido principalmente por roedores e capaz de causar pneumonia grave. O capitão disse que, embora raro, a transmissão entre pessoas não pode ser descartada, mas, no momento, não havia indicação de infecção entre outros ocupantes.
A gravação foi feita pelo blogueiro de viagens Ruhi Cenet, que acompanhou a viagem e ficou surpreso com a continuidade da rotina a bordo após o anúncio. Ele também informou que o médico — citado pelo capitão — acabou entrando em estado grave semanas depois, sem relação direta com o anúncio inicial.
Dias depois, a esposa do primeiro passageiro morto também morreu e testou positivo para hantavírus, aumentando as suspeitas de surto a bordo. Outro passageiro faleceu no início de maio, enquanto os ocupantes permanecem internados em estado grave.
A OMS informou, no fim de semana, três mortes associadas a um possível surto de hantavírus no navio. O vírus, que circula entre roedores, pode comprometer o sistema respiratório e, em casos graves, levar à morte. As autoridades de saúde continuam investigando a origem da transmissão, com análises laboratoriais e estudos epidemiológicos em andamento.
No Brasil, o Ministério da Saúde descreve a hantavirose como uma zoonose viral que pode evoluir para a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus. A transmissão ocorre principalmente pela inalação de aerossóis de excretas de roedores, e, embora rara, há registros de transmissão entre pessoas em algumas regiões. As autoridades seguem monitorando o caso e as equipes de saúde acompanham os ocupantes do navio.
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