Três pacientes hospitalizados na Europa após surto de hantavírus a bordo de cruzeiro — o MV Hondius, navio holandês que seguia rumo às Ilhas Canárias, converteu uma viagem de lazer em alerta sanitário. O navio, que transportava 88 passageiros e 59 tripulantes de 23 nacionalidades, navegava ao norte de Cabo Verde e tem previsão de chegar a Granadilla, Tenerife, no domingo. Um morte ocorreu a bordo e houve confirmação de novo caso relacionado à doença, ampliando a preocupação internacional.
O Hondius fazia a rota Ushuaia, na Argentina, a Cabo Verde, quando registros de hantavírus começaram a surgir. A tripulação isolou a situação após a divulgação de que três pessoas foram retiradas do navio e hospitalizadas em países europeus. O desembarque ocorreu em voos partindo de Praia, capital de Cabo Verde, com destino à Europa, com um paciente indo para Leiden, na Holanda, outro para Düsseldorf, na Alemanha, e o terceiro para Amsterdã.
Casos e contexto — as autoridades destacam que três pacientes estão estáveis, um deles assintomático. A Organização Mundial da Saúde informou que retirou do navio dois tripulantes doentes e uma pessoa que esteve em contato com casos confirmados. Além disso, um homem segue hospitalizado em Joanesburgo e outro na Suíça, elevando a vigilância pela transmissão da hantavírus, que costuma estar associada a roedores.
Especialistas da OMS esclareceram que o primeiro caso detectado no navio não poderia ter ocorrido a bordo nem durante escalas recentes, já que o período de incubação varia entre uma e seis semanas. A explicação aponta para uma exposição anterior à partida de Ushuaia, em 1º de abril, possivelmente ligada a roedores em algum ponto da viagem. Em resposta, o Ministério da Saúde da Argentina enviará profissionais a Ushuaia para investigar o possível foco da doença na região patagônica.
Após a chegada prevista das Canárias, autoridades espanholas anunciaram que, exceto os casos mais graves, estrangeiros devem retornar aos seus países de origem. A OMS informou que dois especialistas em doenças infecciosas acompanharão os passageiros pelo restante da viagem, reforçando a monitorização sanitária a bordo e em terra firme.
A situação ganhou contornos internacionais com a confirmação de que uma linhagem da hantavírus, conhecida como Andes, pode ser transmitida entre pessoas. Casos subsequentes foram registrados na Suíça e na África do Sul, onde uma tripulante holandesa que desembarcou na ilha de Santa Helena acabou falecendo. A empresa Oceanwide Expeditions assegura que, no momento, ninguém a bordo apresenta sintomas, enquanto investigações continuam para mapear a cadeia de contatos.
O chanceler da saúde sul-africano confirmou a presença da cepa Andes em três casos confirmados, e autoridades suíças also confirmaram diagnóstico positivo em um paciente de Zurique. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, reiterou que o risco global é baixo, ainda que os serviços de saúde permaneçam em alerta para evitar novas fontes de contágio e impedir a propagação.
Este episódio, embora grave, não é equiparado ao início da pandemia de covid 19. A atenção se mantém nas medidas de vigilância, na identificação de contatos e na comunicação entre os países, para evitar uma disseminação maior. Compartilhe nos comentários se você tem dúvidas sobre hantavírus, transporte de doenças ou as medidas de prevenção em cruzeiros.
