Tráfico e morte: quem era o homem encontrado boiando no Lago Paranoá

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

Um corpo encontrado no Lago Paranoá acende o alerta sobre a atuação de uma facção em Samambaia Norte. A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou a Operação Eiron, desmantelando uma rede de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e dominação social que atua na capital federal, em especial nas áreas vizinhas ao Lago Sul.

O cadáver foi retirado em 7 de fevereiro, próximo à QL 24, no Lago Sul, e já foi identificado como Eduardo Benício de Assis, de 40 anos. Segundo apurações, Eduardo tinha ligação com o grupo e participou de disputas internas semanas antes de desaparecer.

A operação da 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte) mobilizou cerca de 200 agentes na madrugada de 6 de maio, com 39 mandados judiciais, sendo 14 prisões preventivas e 25 buscas e apreensões. As investigações, que começaram em outubro do ano passado, revelam um modelo de atuação que une violência, lavagem de dinheiro e estratégias de coação social, inspiradas em facções do Rio de Janeiro.

Entre os achados, destaca-se o suposto assistencialismo do grupo: festas solidárias em datas como Dia das Mães e Dia das Crianças, distribuindo comida e cestas básicas com recursos oriundos do narcotráfico. A estratégia visava criar uma imagem de proteção social, reduzir denúncias e consolidar o domínio sobre moradores da região.

Os investigadores também registraram a presença da Estrela de Davi pintada em muros da localidade, associada ao traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como “Peixão”. A leitura é de que o símbolo sinaliza a importação de um modelo de controle territorial utilizado por facções do Rio de Janeiro para o Distrito Federal.

O tráfico era estruturado com um modo delivery: drogas como crack, cocaína, haxixe, maconha e lança-perfume eram comercializadas por apps e redes sociais, enquanto embalagens de fast-food escondiam as entregas para despistar a fiscalização. Padarias, distribuidoras de bebidas e quiosques funcionavam como fachada para lavar dinheiro, com transferências via Pix para “laranjas” dificultando o rastreio financeiro.

Embora vendidas como benfeitores, as ações da organização envolviam espancamentos e o uso de armas de grosso calibre. Há indícios do chamado “tribunal do crime”, mecanismo de punição interna que reforça a violência e a rigidez do grupo. Ao todo, os investigados respondem por tráfico de drogas, associação criminosa e lavagem de dinheiro, com penas que podem superar 35 anos de prisão.

A comunidade local deverá acompanhar os próximos avanços, já que a apuração continua para esclarecer a ligação entre o assassinato de Eduardo e a estrutura criminosa, além de confirmar se houve ordem de execuções dentro do próprio grupo.

E você, o que acha que impede esse tipo de crime de crescer ainda mais na cidade? Deixe seu comentário abaixo e compartilhe suas perspectivas sobre o combate à violência urbana e à criminalidade organizada.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Mar de lama que pode engolir Ciro Nogueira assusta Flávio Bolsonaro

O Senado recusou a indicação de Jorge Messias para ministro do Supremo Tribunal Federal, medida celebrada pela oposição. No cenário internacional, Lula manteve...

Antes de incidente, Independiente Medellín recusou jogar sem torcida

Antes do duelo entre Independiente Medellín e Flamengo pela Libertadores, a cidade de Medellín viveu a tensão entre torcida e protocolo. O clube...

Cármen Lúcia vota no STF contra redistribuição dos royalties do petróleo

Nesta quinta-feira (7), a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou pela derrubada de trechos da lei de 2012 que redefinia...