Operação Faroeste: STJ torna desembargadora Maria do Socorro ré e rejeita acusações contra seis investigados

Escrito por: Diógenes Cunha

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

Resumo: A Corte Especial do STJ recebeu parcialmente a denúncia do Ministério Público Federal na Operação Faroeste, que apura suposto esquema de venda de decisões judiciais para legitimar a posse de terras no oeste da Bahia. O voto do relator, ministro Og Fernandes, autorizou o prosseguimento contra magistrados, advogados e empresários por corrupção e lavagem de dinheiro, mantendo a rejeição de outras imputações. Além disso, o tribunal decidiu desmembrar a denúncia contra um desembargador e manteve o afastamento de duas autoridades na prática administrativa em curso.

No mérito, o ministro Og Fernandes entendeu que existem indícios suficientes de que houve uma atuação coordenada para a venda de decisões judiciais e a legitimação de extensas áreas de terra na região de Barreiras. Mesmo diante de acusações complexas, ele afastou litispendência e o chamado non bis in idem, destacando que a APn 940 trata de organização criminosa em contexto diferente do inquérito atual, que envolve crimes específicos de corrupção e lavagem de dinheiro.

Entre os acusados que tiveram a denúncia recebida estão Adailton Maturino dos Santos e Geciane Maturino dos Santos, apontados por corrupção ativa e lavagem de dinheiro; a desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago, por corrupção passiva e lavagem; e Marivalda Almeida Moutinho, também por corrupção passiva. Foras as imputações, o STJ rejeitou a denúncia contra Aristóteles Moreira, Marcio Duarte Miranda e João Antônio Franciosi por insuficiência de indícios, assim como contra Ediene Santos Lousado, Gabriela Caldas Rosa de Macedo e Maurício Teles Barbosa por organização criminosa e obstrução.

O colegiado determinou o desmembramento da denúncia em relação ao desembargador José Olegário Monteiro Caldas, para tramitação separada, e declarou extinta a punibilidade de João Carlos Santos Novaes. Também prorrogou o afastamento das funções públicas da desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago e da juíza Marivalda Almeida Moutinho, decisão que contou com o voto do revisor e apoio dos demais integrantes do tribunal.

Segundo o MPF, o inquérito, iniciado em 2015, envolve a tentativa de validar uma Portaria administrativa – criada para favorecer títulos de terras – que teria impactado produtores rurais da região. A denúncia cita diálogos telefônicos, operações financeiras fracionadas, contratação de “honorários” e aquisição de bens de luxo como indícios de ocultação de valores. A defesa, por sua vez, sustenta que se trata de disputas antigas e não há provas suficientes de vantagem indevida. O caso continua em andamento, com o objetivo de esclarecer a responsabilidade de cada sujeito envolvido.

Seus leitores, o que acham dessa abertura parcial do STJ? Deixem nos comentários suas opiniões sobre os rumos da Operação Faroeste e o impacto dessas decisões para a Justiça e a região Oeste da Bahia.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Bahia: quem são os suplentes dos deputados federais eleitos em 2026

Resumo jornalístico Bahia define 39 cadeiras na Câmara dos Deputados na eleição ocorrida no último domingo (4), pelo sistema proporcional. Votos de legenda entram...

Oposição se une a PDT e PSD para apoiar recondução de Ivana Bastos na AL-BA

Resumo: A oposição da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) anunciou apoio à recondução de Ivana Bastos (PSD) à presidência da Casa para o...

PT lidera votos de legenda na Bahia para 2026; veja votos por partido

Resumo: PT lidera os votos de legenda nas eleições proporcionais de 2026 na Bahia para a AL-BA e para a Câmara dos Deputados,...