Dor invisível: Pessoas com fibromialgia lutam por reconhecimento e garantia de direitos em Salvador

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No dia 12 de maio é celebrado o Dia Nacional de Conscientização e Enfrentamento da Fibromialgia, doença que provoca dor crônica, cansaço e grande impacto no dia a dia. No Brasil, estima-se que entre 2,5% e 3% da população tenha fibromialgia; em Salvador, isso pode chegar a cerca de 77 mil pessoas, o que representa aproximadamente 3% dos moradores. A data impulsiona ações para ampliar diagnóstico, tratamento e direitos, além de combater o estigma que cerca a condição.

A fibromialgia atinge com maior força as mulheres: entre 7 e 9 de cada 10 pacientes são do sexo feminino, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia. O diagnóstico é essencialmente clínico e, mesmo com tratamento voltado a aliviar sintomas, a qualidade de vida costuma diminuir. Além da dor, muitos convivem com ansiedade e depressão, refletindo o impacto psicológico da doença na rotina.

Para marcar a data, Silvia Ribeiro, fundadora da AFIBS (Associação de Pessoas com Fibromialgia de Salvador), compartilhar sua trajetória desde o diagnóstico em 2015 e a luta por informações e apoio. “Foi um sofrimento muito longo”, lembra, destacando a falta de preparo de profissionais para lidar com a dor quando não há lesões visíveis.

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Campanha da AFIBIS pelo reconhecimento da fibromialgia como deficiência. Foto: Acervo pessoal

Recentemente, a Lei 15.176/2025 reconhece a fibromialgia como deficiência. Com comprovação multidisciplinar, pacientes passam a ter direitos como cotas em concursos, isenções fiscais e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Para Silvia, esse reconhecimento abre portas para acesso a serviços de saúde e benefícios previdenciários, principalmente, porque muitos vivem afastados do mercado de trabalho.

Nesta semana de maio, a AFIBS reforça a importância de ações públicas para educar e informar a população. Nos dias 14 e 15, haverá uma campanha educativa na Estação Rodoviária, na Linha 2 do Metrô de Salvador, oferecendo apoio psicológico, jurídico e nutricional, além de mobilizações que visam ampliar o conhecimento e o acesso a direitos.

No âmbito da Câmara Municipal de Salvador, políticos de diferentes espectros têm buscado dar visibilidade ao tema. O vereador Ricardo Almeida (DC) protocolou projetos para divulgar a fibromialgia e facilitar o acesso a medicamentos. Entre 2017 e 2019, ele realizou audiências com médicos e advogados para entender as dificuldades trabalhistas e do INSS, chegando a sugerir a distribuição gratuita de remédios como pregabalina e amitriptilina.

O Programa Municipal de Cuidados para Pessoas com Fibromialgia (PCPF), criado pelo ex-secretário Augusto Vasconcelos, ampliou o suporte da rede municipal ao diagnóstico e tratamento, fortalecendo o acesso ao SUS e incentivando pesquisas. Em 2023, a prefeitura reconheceu a fibromialgia como deficiência, assegurando direitos legais, com a meta de ampliar a assistência e a inclusão no mercado de trabalho.

Em 2026, o PLN 138/2026 propõe a criação do Banco Municipal de Medicamentos para fibromialgia, buscando ampliar o acesso a tratamentos na rede pública. Para Almeida, a cidade deve seguir aprendendo, entendendo e agindo com sensibilidade para reduzir a invisibilidade dessa dor do dia a dia e assegurar dignidade, saúde e participação social a quem vive com a condição.

E você, já conhecia os desafios enfrentados por quem tem fibromialgia? Compartilhe sua opinião nos comentários e ajude a ampliar esse debate na sua cidade.

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