Copa do Mundo de 2026 será disputada nos EUA, no México e no Canadá, e a trajetória da seleção brasileira até lá mostra uma fase de reconstrução. Em meio a mudanças técnicas e a uma crise de identidade tática, o time terminou as Eliminatórias Sul-Americanas na quinta posição, com 28 pontos. A vaga foi assegurada matematicamente apenas após a vitória por 1 a 0 sobre o Paraguai, no momento em que o ciclo se aproximava do fim. O capítulo seguinte trouxe um elenco que, apesar das dificuldades, provou ter força para se reorganizar sob uma direção técnica estável.
A preparação foi marcada por uma guinada no comando. Depois da queda no Catar, a CBF passou por uma sequência de nomes: Ramon Menezes atuou como interino, seguido por Fernando Diniz e, em seguida, Dorival Júnior. A saída de Dorival veio após a derrota histórica para a Argentina, por 4 a 1, em Buenos Aires, em março de 2025. Em maio daquele ano, Carlo Ancelotti chegou, trazendo um pragmatismo que o time precisava para recobrar confiança e definir o grupo-base para o Mundial. A primeira vitória sob a nova era veio já no mês seguinte, contra o Paraguai.
A edição de 2026 ampliou o torneio para 48 seleções, com seis vagas diretas para a América do Sul e uma vaga de repescagem intercontinental. Mesmo com essa ampliação, o Brasil teve a pior campanha desde que o formato de pontos corridos começou a vigorar, encerrando a trajetória na eliminatória em quinto lugar. Em um dado inédito, a seleção ainda perdeu os dois confrontos com a Argentina naquela edição de qualifying, marcando um precedente desconfortável para o torcedor.
No aspecto humano, a ausência de Neymar, ausente por lesões crônicas, se fez sentir na construção das jogadas, exigindo que o talento brasileiro carregasse mais peso. Vinícius Júnior enfrentou seca de gols e de ritmo, enquanto Rodrygo alternou momentos de brilho com oscilações, e Raphinha assumiu mais responsabilidade nas bolas paradas e na criação. Com a chegada de Ancelotti, jovens como Endrick começaram a surgir como opções de velocidade e quebra de linhas, sinalizando uma evolução tática rumo a um ataque mais conectado.
Para a fase de preparação, amistosos estratégicos contra adversários de diferentes continentes ajudaram a lapidar o conjunto. Destaques incluem uma goleada de 5 a 0 sobre a Coreia do Sul e outra de 2 a 0 contra o Senegal, além de um empate 1 a 1 com a Tunísia e uma derrota por 3 a 2 diante do Japão. Com o planejamento consolidado e o elenco sob o comando de Ancelotti, o Brasil chega ao Mundial de 2026 com mais equilíbrio e a expectativa de competir pelo topo no formato de 48 equipes.
