A tensão entre Cuba e os Estados Unidos se intensifica, com o governo cubano reafirmando o direito à autodefesa e advertindo que qualquer ataque americano provocaria um banho de sangue. Em Havana, moradores enfrentam a pior crise econômica e energética das últimas décadas, tentando manter a rotina apesar das dificuldades.
Na Habana Vieja, Arminda de la Cruz, 56, guarda de segurança de uma empresa estatal, descreve dias marcados pela escassez. A geladeira quase vazia, poucas garrafas de água no congelador e um ritmo de apagões moldam a vida de uma família de sete pessoas, incluindo três crianças. Para não perder o equilíbrio, ela busca um pouco de música e tenta não se deixar levar pelo medo.
À medida que circulam especulações sobre uma possível intervenção militar, muitos moradores mostram uma mistura de ceticismo e realismo. Olaida Pozo, 52, dona de casa, lembra décadas em que a mesma ameaça esteve presente sem se concretizar, mantêm?se esperançosa de que mudanças profundas ocorram para aliviar a crise cotidiana.
Alexis Pérez, 28, operário da construção, concorda que uma guerra não seria a solução. Ele investiu em suprimentos básicos, incluindo uma mochila com itens para eventual fuga, mas não acredita que algo tão drástico como o conflito venha a acontecer. O que ele vê como prioridade é uma transformação estrutural que melhore a qualidade de vida.
Outros, como Osvaldo Mendoza, 61, defendem mudanças econômicas sem recorrer à violência. Beatriz, 40, militar reformada, não se prepara para guerra, mas admite que reformas para o bem do povo são necessárias. Embora não descarte intervenções externas, ela ressalta que qualquer movimento deve beneficiar a população e evitar novos riscos à cidade de Havana e à região.
