A OMS elevou o risco da epidemia de ebola na República Democrática do Congo para o nível máximo nacional, à medida que o vírus avança rapidamente pelas províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul. Até o momento, são 82 casos confirmados, com 7 mortes, enquanto há aproximadamente 750 casos suspeitos e 177 mortes em investigação no país. Uganda acusa apenas dois casos confirmados e uma morte notificada.
O diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, informou que o risco nacional passa a ser classificado como muito alto, com o regional em alto e o global permanecendo baixo. A mudança reflete a disseminação acelerada da doença e os desafios de resposta em meio a uma região marcada por conflito.
A transmissão ocorre principalmente entre as áreas sob controle das forças na região de Kivu, cortada pela linha de frente com o grupo armado M23, respaldado por Ruanda, que ocupa trechos de território desde 2021. O Ituri é apontado como epicentro da atual etapa da epidemia, agravando as dificuldades logísticas e de vigilância.
A resposta de saúde na área é complexa e já levou a ações reforçadas da OMS, com envio de equipes adicionais para apoiar a vigilância, detecção rápida de casos e medidas de contenção. As autoridades ressaltam que, sem vacina nem tratamento autorizado específico para a cepa Bundibugyo, o foco está em limitar a transmissão por meio de isolamento, rastreamento de contatos e alerta rápido.
O Ebola é uma febre hemorrágica com alto índice de mortalidade, mas o vírus responsável pela reação atual tem transmissão menos intensa que a de doenças como a covid-19 ou o sarampo. Ainda assim, a ausência de uma vacina adequada para este surto coloca a região em alerta máximo, com autoridades regionais intensificando a cooperação para contê-lo o quanto antes e proteger as comunidades locais.
