A Prefeitura de Salvador anunciou a restauração do Caminho da Fé, o trajeto turístico e religioso que liga o Santuário Santa Dulce dos Pobres à Basílica do Senhor do Bonfim, após atos de vandalismo. No ano passado, cerca de um terço dos R$ 603 mil gastos com serviços de restauração de monumentos foi destinado à reposição das obras do Caminho da Fé, totalizando aproximadamente R$ 200 mil.
As intervenções envolvem 28 peças criadas pelo artista Juarez Paraíso, com a colaboração de 14 artistas. Do total, 22 peças foram furtadas e precisaram ser refeitas e reinstaladas, enquanto 14 totens de madeira com bases de granito foram vandalizados, arrancados e usados como depósito de lixo. A restauração incluiu a reposição completa dessas peças.
Segundo Roberta Santucci, gerente de Patrimônio Cultural da Fundação Gregório de Mattos (FGM), as obras restauradas foram entregues em janeiro deste ano. O Caminho da Fé reúne 14 estações que retratam a história de Santa Dulce dos Pobres e a devoção ao Senhor do Bonfim, com peças fixadas por parafusos ocultos e protegidas por vidro.
O conjunto reúne a produção do arquiteto Adriano Mascarenhas e as artes de Juarez Paraíso, com a colaboração de Juraci Dórea, Marcia Magno, Ray Vianna, Sônia Rangel, Murilo, Guache Marques, Edsoleda Santos, Leonel Mattos, Paulo Rufino, Fernando Freitas Pinto, J. Cunha, Bel Borba, Chico Mazzoni e Washington Falcão. Cada totem traz três peças em aço com a face de Irmã Dulce de um lado e a do Senhor do Bonfim do outro, acompanhadas de mensagens associadas aos santos e a trechos do Hino ao Senhor do Bonfim.
O restauro ocorreu em etapas: a primeira, de limpeza e recuperação da madeira, e a segunda, de refazer as obras para a reposição, com nova gravação e instalação mais seguras. “Foi feita uma nova gravação e instalação, agora, com mais cuidado, na tentativa de evitar novos furtos e depredações”, comenta Washington Falcão, designer convidado para o projeto.
A Caminho da Fé tem 1,1 quilômetro de extensão e, desde a inauguração em agosto de 2020, recebeu melhorias como drenagem, calçamento, faixas de pedestres, iluminação em LED, mobiliário urbano e infraestrutura de telecomunicações, fortalecendo o vínculo entre turismo, fé e memória regional.
Juarez Paraíso, aos 91 anos, explica que cada totem é composto por três peças em aço, com as imagens de Irmã Dulce e do Senhor do Bonfim acompanhadas por frases atribuídas às duas figuras, além de trechos do Hino ao Senhor do Bonfim. “São dois santos poderosos, especialmente devotados. Santa Dulce é a primeira santa brasileira, ainda mais baiana”, ressalta o artista, que espera o início do tombamento para proteger esse acervo artístico da cidade.
A Prefeitura já encaminha o dossiê para o Conselho de Patrimônio Cultural, com a finalidade de registrar as obras no livro competente e consolidar o tombamento. “É preciso zelar pelo tesouro artístico que é de toda a população”, afirma Juarez, reforçando o compromisso com a preservação do patrimônio cultural da região.
