Itamaraty cobra eleições livres na Nicarágua após comentário de Ortega. O Ministério das Relações Exteriores condenou, nesta quinta-feira, 23 de julho de 2026, a declaração de Daniel Ortega de que o país “não voltará a ter eleições” e pediu às autoridades nicaraguenses que garantam ao povo o direito de escolher seus governantes de forma livre.
Em nota, o Itamaraty disse ter recebido a fala com “preocupação” e reforçou que eleições livres, periódicas, plurais e transparentes são pilares da democracia — valor com o qual o Brasil mantém profundo compromisso.
A pasta destacou ainda que o Brasil conclama as autoridades nicaraguenses a assegurarem ao povo nicaraguense o livre exercício do direito soberano de escolher seus governantes, enfatizando que os pleitos devem ocorrer dentro das normas democráticas, sem interferência externa.
A manifestação ocorre dias após Ortega, durante as comemorações do 47º aniversário da Revolução Sandinista, em Manágua, afirmar que a Nicarágua deixará de realizar eleições para impedir que grupos opositores voltem ao poder.
Durante o discurso, Ortega também anunciou que a Assembleia Nacional — controlada pela FSLN, o partido governista — discutirá novas leis para endurecer o combate aos adversários políticos.

Ortega, de 80 anos, está no poder desde 2007 e, ao lado de Rosario Murillo, consolidou um sistema de poder cada vez mais centralizado. Organismos internacionais, nos últimos anos, acusaram o governo de perseguir opositores, jornalistas, religiosos e integrantes da sociedade civil.
Centenas de pessoas foram presas ou forçadas ao exílio, enquanto milhares de ONGs tiveram seus registros cancelados e seus bens confiscados. Medidas desse tipo contribuíram para o isolamento diplomático da Nicarágua e motivaram sanções impostas pelos Estados Unidos.
A Nicarágua deveria realizar eleições gerais em novembro deste ano. Entretanto, uma reforma constitucional — em vigor desde o início de 2025 — aumentou o mandato presidencial de cinco para seis anos, adiando, em tese, o próximo pleito para novembro de 2027.

Governo voltou atrás pouco tempo depois da repercussão internacional: na quarta-feira, 22 de julho, Rosario Murillo, copresidente e esposa de Ortega, disse que haverá eleições, mas rejeitou modelos “influenciados pelos Estados Unidos” e defendeu pleitos organizados apenas pelas instituições nicaraguenses.
Murillo acrescentou que esse tipo de eleição “contra o povo” não ocorrerá e que os pleitos devem ser abençoados, livres, dignos e soberanos, realizados pelas próprias instituições do país. Ainda assim, a fala não dissipou dúvidas sobre o futuro político da Nicarágua, já que Ortega havia descartado novas eleições poucos dias antes e instigado o Parlamento a adotar medidas para ampliar o controle sobre a oposição.
Opinião dos leitores é bem-vinda nos comentários — compartilhe suas expectativas sobre a vida política na Nicarágua e o papel de organismos internacionais na defesa de eleições livres.


