Cartéis e autoridades indígenas alimentam abusos contra a liberdade religiosa no México, diz relatório

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Relatório da Christian Solidarity Worldwide (CSW) aponta violações graves à liberdade religiosa no México, cometidas tanto por organizações criminosas quanto por comunidades indígenas regidas por usos e costumes, com falhas reiteradas do governo em proteger quem está em risco. O estudo revela mais de 130 casos denunciados nos últimos anos, e registra Oaxaca com um número expressivo de ocorrências dentro desse período.

Entre as comunidades sob o regime de usos e costumes, líderes locais costumam obrigar moradores a participar de rituais e a financiar festividades associadas à religião dominante, geralmente o catolicismo. Recusar essas imposições pode significar a perda de direitos básicos, como nascimento, sepultamento, voto, trabalho e acesso a água e energia, além de detenção arbitrária, violência e deslocamento forçado.

Casos específicos destacam abusos como a expulsão de um pastor protestante em Santiago Malacatepec, em San Juan Mazatlán Mixe, onde ele foi forçado a realizar rituais católicos; a detenção de 48 horas e a expulsão após recusa. Em Chiapas, 11 membros de uma comunidade adventista foram agredidos e detidos após se recusarem a contribuir financeiramente para as festividades católicas, com cobrança inicial de 100 mil pesos para liberação que acabou recuando diante de intervenções estaduais.

No âmbito do crime organizado, grupos impõem toques de recolher e restringem a circulação durante reuniões religiosas. Líderes que criticam a violência costumam ser ameaçados, desaparecem ou são assassinados. O caso de Benito Guevara Arcos, um missionário de 79 anos, ilustra esse quadro: ele desapareceu em Guerrero após ser forçado a entrar num carro; uma alegação posterior de libertação não foi comprovada pela família, que registrou o caso como desaparecimento.

Contexto internacional reforça a gravidade: em setembro de 2025, o Conselho de Direitos Humanos da ONU destacou a impunidade estrutural e o enfraquecimento do Estado de Direito como fatores que tornam o México um dos ambientes mais perigosos da América Latina para a defesa dos direitos humanos. Defensores citados pela CSW afirmam que ataques a líderes religiosos costumam ser rotulados como crimes comuns, dificultando investigações profundas.

O CSW aponta ainda o Centro Multimídia Católico como registro de assassinatos de um cardeal, 62 padres, um diacono, quatro funcionários de igreja, 23 líderes leigos e um jornalista católico, entre 1990 e 2025, além do desaparecimento forçado de dois padres. Líderes e organizações destacam a necessidade de independência institucional frente a qualquer influência religiosa, bem como a proteção efetiva das vítimas e seus direitos. Dados de 2022 indicam que mais de 3 milhões de pessoas pertencentes a minorias religiosas sofrem discriminação no país, reforçando a urgência de respostas sólidas.

Organizações como a CIDH apontam que os desaparecimentos aumentaram mais de 200% na última década e frequentemente envolvem agentes estatais ou permissões para que grupos criminosos atuem sem responsabilização. Global Christian Relief registra 376 incidentes ligados a sequestros e agressões contra cristãos entre o fim de 2023 e 2025, e a Portas Abertas ressalta que, principalmente em regiões indígenas, cristãos que abandonam a fé enfrentam multas, espancamentos, prisões e deslocamento forçado, com pouca proteção das autoridades. O momento pede respostas firmes e uma cultura de respeito aos direitos humanos.

E você, o que acha das medidas adotadas para assegurar a liberdade religiosa no México? Compartilhe sua opinião nos comentários e participe da conversa sobre como fortalecer a proteção das comunidades vulneráveis.

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