Manuel Adorni deixa o governo de Milei em meio a investigações sobre seu patrimônio




Manuel Adorni, chefe de gabinete do presidente argentino Javier Milei, anunciou neste sábado que deixará o cargo, em meio a investigações sobre o patrimônio pessoal e gastos. Em carta publicada na rede X, ele afirma ter decidido encerrar esse ciclo apesar da resistência do presidente, encerrando-o com a consciência tranquila.
Adorni foi visto como um dos principais aliados de Milei desde o início do governo, ocupando um dos postos mais sensíveis ao longo de 2023. As investigações ganharam força após questionamentos sobre viagens com a família, uso de primeira classe em passagens e um deslocamento de jato particular para o Uruguai durante o Carnaval.
O ex-chefe de gabinete negou irregularidades, dizendo que o patrimônio foi constituído antes da entrada no governo e que todas as despesas pessoais foram pagas com recursos próprios. Nesta semana, porém, admitiu, em entrevista ao La Nación, que houve anos em que valores não foram declarados às autoridades fiscais. Segundo Adorni, as declarações de 2023 e 2024 foram retificadas para incluir cerca de US$ 500 mil não informados anteriormente, e ele fez um mea culpa, prometendo quitar o que for devido.
Antes da renúncia, Milei havia defendido o auxiliar, afirmando, em entrevista ao mesmo jornal, que “de jeito nenhum Adorni sairia” do governo e que não pretendia condenar um inocente. O episódio ocorre em meio a um cenário de desgaste do governo argentino, com denúncias de corrupção entre integrantes da gestão e a queda da popularidade de Milei, cuja imagem positiva caiu de 53% para 39% em um levantamento recente.
O contexto econômico desafia o governo, enquanto os rumores de irregularidades ganham espaço no debate público. A renúncia de Adorni abre espaço para avaliação sobre o impacto institucional para Milei e suas estratégias de comunicação diante de um cenário de cobrança por maior transparência e combate à corrupção.
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