Três irmãos libaneses usavam lojas de celulares no Centro de São Paulo para lavar dinheiro para facções na Tríplice Fronteira

Quatro libaneses foram presos em São Paulo durante a Operação Hawala, deflagrada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro e pelo Ministério Público do Rio (MPRJ). Eles são apontados como operadores de uma rede que prestava serviços para facções criminosas na Tríplice Fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina), com as lojas de celulares da região central da capital como fachada.
A investigação aponta que o grupo pode ter lavado mais de R$ 100 milhões oriundos do tráfico de drogas, utilizando estabelecimentos comerciais e outros produtos irregulares na área central da capital paulista. A ação envolveu Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Foz do Iguaçu (Paraná).
A Justiça expediu 10 mandados de prisão e 37 de busca e apreensão, além de medidas de bloqueio de ativos, indisponibilidade de bens e restrição de participação societária dos investigados. O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou 22 pessoas por envolvimento com o esquema de lavagem de dinheiro.
Segundo a delegada Lorena Rocha, da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), o grupo utilizou dezenas de empresas entre 2021 e 2024 para disfarçar recursos obtidos com atividades ilícitas como tráfico, receptação qualificada e comércio de produtos falsificados. “Tudo começou com a venda de produtos ilegais no Rio de Janeiro e levou à descoberta de lojas no Centro de São Paulo usadas para lavar dinheiro”, explicou a autoridade.
Em São Paulo, três irmãos de origem libanesa são apontados como os responsáveis por lavar recursos para as facções na Tríplice Fronteira (Brasil-Paraguai-Argentina): Reda Zayoun, Yasser Zayoun e Kassem Zayoun. O quarto preso é Ali Alfakih, cuja participação ainda não foi esclarecida pela polícia.
Durante a apuração, as autoridades identificaram que o grupo pode manter vínculos com um indivíduo norte?americano sancionado pelo governo dos Estados Unidos, apontado como responsável pela estrutura de financiamento de organizações extremistas. As investigações do Rio de Janeiro devem esclarecer a ligação entre a organização violenta e as facções brasileiras.
O Metrópoles SP destaca que a operação mobilizou equipes em várias frentes e reforça a lógica de uso de empresas de fachada, transferências entre pessoas jurídicas, depósitos fracionados em dinheiro e a atuação de “larajas” para ocultar a origem ilícita dos recursos. A análise financeira contou com o apoio do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD), que apontou incongruências entre o desempenho econômico das empresas e a renda declarada pelos investigados.
A polícia segue investigando a conexão entre o grupo e as facções, bem como a possível ligação com atores internacionais. As autoridades continuam buscando defesa para os presos e desejam esclarecer todos os vínculos operacionais e financeiros que sustentavam o esquema de lavagem.
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