A IBM protagonizou o que pode ser descrito como o pior dia de sua história recente após divulgar um alerta sobre resultados do segundo trimestre, bem antes do previsto, o que levou as ações a recuarem cerca de 25%. O recado trouxe dúvidas sobre o ritmo da transformação da empresa, que já vive a pressão da revolução da IA. O conselho avaliou entre adiantar as más notícias ou esperar a divulgação oficial, e optou pela transparência, marcando uma teleconferência para detalhar o cenário na próxima semana.
IBM, com uma trajetória que ajudou a levar a humanidade à Lua e a moldar a computação corporativa, enfrenta agora os impactos da IA em ritmo veloz. Mesmo ajudando clientes a adotar soluções baseadas em IA, a empresa foi surpreendida pela velocidade com que a tecnologia redefine investimentos corporativos, exigindo realocações de recursos antes destinados a hardware tradicional.
O alerta acende um ponto sensível: a dependência de grandes clientes pode ter ficado excessiva. Executivos avaliam que esse modelo deixa a companhia vulnerável a ciclos de atualização irregulares e ao adiamento de contratos em períodos de incerteza econômica. Uma das saídas contempladas é ampliar a presença entre empresas de médio porte, diversificando a base de clientes, ainda que isso leve tempo para se traduzir em resultados.
A reação do mercado ganhou contornos adicionais com a visão de especialistas. Debanjan Saha, ex-funcionário da IBM e hoje CEO da DataRobot, elogiou a transparência de Krishna em uma publicação no LinkedIn, dizendo que a queda das ações reflete uma discussão maior sobre o futuro da empresa e sobre se uma corporação de 115 anos pode liderar a era dos agentes de IA, ou apenas sobreviver a ela.
A era Krishna marca uma guinada estratégica para a IBM. Desde 2020, o CEO vem promovendo software, nuvem e computação em rede como pilares de crescimento. Entre os movimentos-chave estão a aquisição da Red Hat por US$ 34 bilhões, o foco na nuvem híbrida e na computação quântica, a separação da área de terceirização da TI da Kyndryl e a compra da HashiCorp. Em 2023, a divisão de software já respondia por uma parte relevante da receita, refletindo o peso dessa estratégia no conjunto da empresa.
A empresa também sinaliza que a IA pode redefinir fluxos de trabalho, com Krishna sugerindo que a tecnologia poderá substituir parte das atividades, ao mesmo tempo em que realoca profissionais para funções mais estratégicas. Nos últimos meses, a IBM promoveu reestruturação e programas de requalificação para parte de seus cerca de 260 mil funcionários, mantendo o foco na inovação em nuvem, IA e hardware especializado.
A notícia trouxe ainda novas pressões externas: em abril, a IBM fechou acordo com o governo dos EUA relacionado a práticas de diversidade, e, no mês seguinte, as ações reagiram a anúncios de subsídios do governo para IA e a planos de construção de uma fábrica de chips quânticos. Mesmo com esses movimentos, o valor de mercado ficou abaixo de US$ 200 bilhões, gerando expectativas de pressão de investidores ativistas ou até de desmembramento no futuro.
O debate entre conservadorismo estratégico e necessidade de crescimento ganhou novas vozes. Gary Cohn, ex-CEO da IBM, destacou que a mudança de gastos com tecnologia pode ser temporária e que muitos orçamentos já reajustaram após o repasse dos investimentos em IA. Em meio a perguntas sobre o rumo da empresa, a direção afirma que o objetivo é manter a credibilidade e entregar clareza sobre os próximos passos.
E você, acredita que a IBM conseguirá equilibrar inovação em IA com a necessidade de ampliar a base de clientes e sustentar o crescimento de longo prazo? compartilhe sua leitura sobre o futuro da companhia e quais passos você acha que devem ser prioritários.
