Ex-zagueiro belo-horizontino Italo Augusto Souza Araújo, conhecido como “Animal”, abriu o jogo sobre como o vício em apostas quase colocou fim à sua carreira e à sua vida. Entre perdas de cerca de R$ 100 mil, endividamento e momentos de desespero, ele revela que o caminho foi árduo. Hoje, com apoio da família, de um grupo de ajuda e de um projeto social, ele caminha rumo à recuperação, somando nove meses de sobriedade.
Aos 21 anos, durante a pandemia da Covid-19, Italo começou a apostar por diversão, com valores baixos. Em pouco tempo, envolveu o melhor amigo e descreve uma escalada rápida de perdas, começando em torno de R$ 1 mil e avançando para perdas maiores. O vicio cresceu, e o amigo — que mais tarde seria hospitalizado por câncer — tornou-se uma lembrança dolorosa que o acompanharia. Ele reconhece que a ganância abriu espaço para o vício dominar.
A revelação veio quando a mãe, que luta contra lúpus, conferiu extratos bancários e constatou transferências suspeitas, dívidas com agiotas e itens comprados que não chegaram a existir. “Aprendi a roubar dentro da minha própria casa”, ele lembra, citando o episódio de abrir um cofre herdado. O choque destruiu a confiança familiar e deixou a mãe abatida pela tristeza.
A virada aconteceu quando a mãe o levou a uma reunião dos Jogadores Anônimos, no bairro Serra, em Belo Horizonte. Lá ele encontrou uma comunidade que entende o que ele vive e passou a frequentar os encontros duas vezes por semana. Chamados de “turma do fundão”, eles ajudaram Italo a reconectar com a família e a redescobrir pequenas alegrias do dia a dia.
Agora, com nove meses de sobriedade, ele toma medicamentos para o transtorno, bloqueia o CPF em casas de apostas via Gov.br e evita acompanhar jogos para não acender gatilhos. O celular fica com a mãe sempre que ele sente fragilidade, e a relação com o dinheiro mudou: as ações antes voltadas para apostar passaram a sustentar a reconstrução familiar.
Ao lado dos pais, Italo participa de um projeto social na comunidade Goiânia, bairro Nordeste de BH, oferecendo atividades como jiu-jítsu para crianças e jovens. Ele recusou uma proposta de divulgação de uma casa de apostas e escolheu usar sua história para ajudar outras pessoas. Recentemente, presenteou a mãe com um buquê de girassóis, comprado com o cartão sob supervisão, símbolo da nova relação com a família e o dinheiro.
A ludopatia é reconhecida como transtorno de saúde mental e tem tratamento pelo SUS, UBSs e CAPS. Grupos de apoio, como os Jogadores Anônimos, atuam em diversas cidades, incluindo Belo Horizonte. Em situações de sofrimento intenso ou ideação suicida, a orientação é buscar ajuda imediata ou contatar o CVV, que oferece apoio 24 horas por dia.
E você, já viu alguém passar por uma transformação como essa? Compartilhe nos comentários suas experiências, dúvidas ou opiniões sobre o tema e ajude a ampliar a conversa sobre prevenção e recuperação.
