O governador Jerônimo Rodrigues (PT) pode ter uma força bem incomum na campanha de reeleição na Bahia: o tarifaço de Donald Trump. Pode parecer uma tese esdrúxula e fora da casinha, mas ela é mais palpável do que você pode imaginar, leitor. E, por esse motivo, a direita “limpinha” do Brasil deveria ser mais critica à medida do presidente dos Estados Unidos. No entanto, as reações locais estão passando ao largo, já que o foco do principal opositor, ACM Neto (União), é “debater a Bahia”.
O impacto na campanha petista na Bahia é bem indireto, admitamos. Em janeiro de 2022, um aliado próximo do ex-prefeito de Salvador revelou que o foco do grupo era evitar que a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não atingisse 70% dos votos válidos na Bahia. Se esse número fosse alcançado, dificilmente uma campanha petista seria derrotada nas urnas. O resultado é público: Lula ultrapassou essa marca e ganhou uma folga em território baiano. Por isso, a relação entre a campanha nacional e estadual é direta.
É nesse ponto que Trump entra na história. As últimas pesquisas registram que a reação de Lula ao tarifaço fortaleceu a imagem do presidente na corrida pela reeleição. O discurso de defesa da soberania brasileira funcionou bem e o principal adversário do petista até então, o senador Flávio Bolsonaro (PL), criou mais lambança do que resultado prático. Somado ao desacordo com a madrasta Michelle Bolsonaro e ao episódio “Dark horse”, a campanha da oposição patina mais do que no passado recente. Ou seja, Lula forte e uma oposição nacional claudicante torna a vida de ACM Neto mais difícil na Bahia.
A tendência é que o ex-prefeito de Salvador tente se desvincular de Flávio e tente pulverizar apoios ao Palácio do Planalto, com nomes como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). Só que essa estratégia não funcionou tão bem no último pleito e pode não ser tão positiva agora. Então, ACM Neto terá que usar outras estratégias para tentar conter o fortalecimebto de Lula, especialmente no interior da Bahia. E isso passa por também endossar um discurso próximo à defesa da soberania, utilizado por Lula e, indiretamente, por Jerônimo. Ou faz isso, ou fica a mercê de ser impactado por isso decisão bem distante da cena eleitoral baiana, como a episódio em Washington (DC).
Jerônimo, mais do que qualquer outro, torce para Lula ser fortalecido. E o tarifaço de Trump gera isso. Por isso, por mais estranho que possa parecer, uma disputa internacional pode ter consequências na Bahia. Uma eleição é multifatorial e isso é óbvio. Então, ACM Neto vai tentar manter as pautas estaduais como prioridade, numa tentativa de evitar impactos adversos como esse. Haja esforço, inclusive.
