Misteriosos pontos vermelhos vistos pelo Telescópio James Webb estão sumindo

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Uma nova pesquisa propõe uma explicação para um dos maiores mistérios revelados pelo Telescópio Espacial James Webb: os enigmáticos Pequenos Pontos Vermelhos. Os cientistas sugerem que esses objetos vistos no início do universo podem não ter desaparecido, mas evoluído para aglomerados globulares densamente povoados de estrelas, com uma estrela supermassiva no seu centro.

A hipótese traça um paralelo com a evolução de dinossauros terrestres: assim como alguns sobreviveram, esses Pontos Vermelhos poderiam persistir no passado cósmico, evoluindo para estruturas familiares hoje. Segundo os autores, tais aglomerados poderiam abrigar uma estrela central entre mil e dez mil vezes a massa do Sol, com vida extremamente curta, capaz de produzir a assinatura química observada nesses objetos.

Aglomerado globular NGC 6638
Aglomerado globular NGC 6638, visto pelo Telescópio Espacial Hubble – Imagem: ESA/Hubble e NASA, R. Cohen

Crédito: ESA/Hubble e NASA, R. Cohen

“Estes podem não ser apenas uma estranha nova população do JWST sem conexão com o universo que nos cerca hoje”, afirmou o líder da pesquisa, John Chisholm, da Universidade do Texas em Austin (EUA). “Em vez disso, os Pequenos Pontos Vermelhos podem persistir para além do universo primitivo, evoluindo para algo relativamente familiar.”

“Os Pequenos Pontos Vermelhos poderiam ser galáxias, poderiam envolver buracos negros, ou poderiam ser algo ainda mais inesperado. Nosso trabalho mostra que a formação de aglomerados globulares com estrelas supermassivas deve fazer parte dessa conversa”, completou Chisholm.

Aglomerados globulares ainda guardam mistérios

Os aglomerados globulares são encontrados principalmente em grandes galáxias e podem abrigar milhões de estrelas antigas em regiões extremamente compactas. A Via Láctea, por exemplo, possui pelo menos 150 desses objetos, cuja origem ainda é tema de debate científico.

Segundo Danielle Berg, da Universidade do Texas em Austin, observações de aglomerados costumam ocorrer após bilhões de anos de evolução, em que suas estrelas massivas já desapareceram e o gás foi disperso, dificultando a reconstrução das condições originais de formação.

Química incomum pode ser explicada por estrelas supermassivas: a composição de muitas estrelas nesses aglomerados exibe abundância de hélio, nitrogênio, sódio e alumínio, com níveis menores de carbono, oxigênio e magnésio — um padrão que indicaria fusões nucleares em temperaturas extremamente altas.

Algumas das galáxias pequenas de ponto vermelho
Algumas das galáxias “pequenas de ponto vermelho” descobertas pelo JWST – Imagem: NASA, ESA, CSA, STScI, Dale Kocevski (Colby College)

Crédito: NASA, ESA, CSA, STScI; Dale Kocevski (Colby College)

Estrelas gigantes teriam vida curta: o modelo propõe que essas estrelas supermassivas teriam vida de cerca de um milhão de anos, suficiente para fornecer os elementos necessários para a composição observada. Ao morrer em explosões de supernova, esses elementos seriam lançados ao espaço e usados na formação de futuras gerações de estrelas.

De acordo com Chisholm, “a estrela que ajudaria a tornar o objeto um Pequeno Ponto Vermelho viveria pouco tempo; quando morre, o objeto pode deixar de se parecer com esse ponto, ainda que o aglomerado sobreviva por bilhões de anos.” Além disso, a distribuição e a época de aparecimento desses objetos reforçam a hipótese, ao coincidirem com a possível formação de aglomerados globulares. O estudo está disponível em versão preliminar no repositório arXiv.

A pesquisa acrescenta uma peça intrigante ao quebra?cabeça cósmico, mas os autores sublinham que não há prova definitiva ainda. A hipótese apenas oferece uma explicação que pode conciliar várias observações surpreendentes feitas pelo JWST. O estudo está disponível em versão preliminar no arXiv, sem revisão por pares.

Rodrigo Mozelli

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