A Bahia volta a se conectar com Anitta por meio do Grupo Ófá, ligado ao Terreiro do Gantois, que integra a segunda parte da série EQUILIBRIVM II. A faixa Contemplação, criada pela parceria entre integrantes do grupo e a equipe da cantora, une português e iorubá em uma celebração da água como símbolo de cura e proteção.
A aproximação entre Anitta e o Grupo Ófá remonta a 2024, quando a cantora ainda trabalhava na era Funk Generation e o grupo desenvolvia o premiado trabalho Odum Orim: Festa da Música de Candomblé. A conexão ganhou fôlego após a intervenção da produtora Ní dia Aranha.
A faixa que resultou desse encontro, intitulada Contemplação, faz parte da nova fase de Anitta e apresenta uma colaboração coletiva entre integrantes do Grupo Ófá e músicos da equipe da artista. A letra e a sonoridade enfatizam a força simbólica da água, associada à cura, renascimento e proteção, inspiradas por uma cantiga dedicada a Oxum.
Na composição, Luciana Baraúna, que domina o iorubá e as tradições afro-brasileiras, canta trechos em iorubá entremeados a português, oferecendo ao público uma experiência que se afasta do ritmo dominante do álbum e se aproxima de uma verdadeira oração. Anitta descreveu a faixa como um momento de cura.
O produtor e músico Iuri Passos, integrante do Grupo Ófá, destacou que a parceria representa mais do que música: é uma ferramenta para unir energias ancestrais de forma macro, conectando o povo às tradições do terreiro. Ele reforçou a influência da ancestralidade na criação musical.
Ao Bahia Notícias, o músico celebrou a parceria e destacou a oportunidade de expor o trabalho de pesquisa e preservação promovido pelo Grupo Ófá.
Segundo informações divulgadas pelo Bahia Notícias, parceiro do PrimeiroJornal, a faixa representa um marco na busca de Anitta por experiências que combinem espiritualidade e arte popular brasileira, ampliando o alcance da mensagem de preservação cultural.
GRUPO ÓFÁ: 26 ANOS DE HISTÓRIA Foto: Grupo Ófá
Fundado em 2000, o Grupo Ófá reúne Iuri Passos, Luciana Baraúna, Yomar Asogbá e a cantora Irma Ferreira. O coletivo atua na preservação e releitura de cantos do candomblé, mesclando percussão, baixo, guitarra e piano para unir tradição e experimentação.
Além de apoiar Anitta, o grupo tem uma trajetória dedicada à aproximação entre arte e a cultura iorubá, com foco na educação e na redução da distância entre quem pratica a religião e o público em geral.
Entre os álbuns que marcaram a carreira do Ófá estão Odum Orim: Festa da Música de Candomblé e Obatalá: Uma Homenagem a Mãe Carmen, além de obras que celebram Iyá Ògbà Sirê: O Poder do Sagrado Feminino. Essas obras já receberam reconhecimentos internacionais, como o Grammy Latino.
Para o grupo, a música é também uma ferramenta de cura. Em entrevista, Iuri reforçou que a obra atua como ponte entre o povo e a cultura negra, defendendo a preservação, o estudo e a educação sobre a tradição iorubá para futuras gerações.
“A nossa música cura”, afirma Iuri, destacando a tradução de cantos para o português para que mais pessoas compreendam a força das palavras que invocam paz, harmonia e saúde. Ele lembrou ainda que muitos akins (orixás) e cantos são usados para fins positivos no cotidiano.
O grupo também recorda relatos recebidos durante a pandemia, nos quais a música de terreiro era citada como apoio emocional para enfrentar aquele momento difícil, fortalecendo a relação entre arte, espiritualidade e bem-estar público.
A caminhada do Ófá fica ainda mais clara na determinação de continuar preservando e registrando esse repertório, com a visão de gravar, no mínimo, mais cem discos, ampliando o alcance dessas vozes ancestrais para as futuras gerações.
Crédito: Grupo Ófá — Foto: @gee.eu
Observação editorial: a informação sobre a parceria com Anitta foi veiculada pelo Bahia Notícias, parceiro do PrimeiroJornal, e as referências a produtores e integrantes remetem à fonte original.
