Fotografias publicadas pela esposa do coronel da reserva Luiz Carlos Pereira Martins mostram o oficial próximo do empresário Cléber Azevedo dos Santos na madrugada do Ano Novo, em ambiente próximo a uma piscina, com crianças e companheiras também presentes. Em outra imagem, os dois aparecem reunidos com o advogado Antônio Carlos Ubaldo Júnior, em um restaurante. As fotos haviam ficado fora do ar e foram recuperadas pela reportagem nesta semana.










Segundo a apuração, o Ministério Público de São Paulo (MPSP), por meio do Gaeco, descreve nos documentos de investigação uma relação próxima entre Cléber e Pereira Martins, mesmo após empresários serem alvo de operações policiais, como a Fractal, deflagrada no fim de 2022. As imagens, que registram encontros sociais entre as famílias, contribuíram para essa leitura de proximidade, embora não desvendem, isoladamente, qualquer prática criminosa pelo coronel.
As peças do Gaeco também indicam que o vínculo entre Cléber, Robson Martins de Souza e Pereira Martins se manteve ativo, incluindo participação em um grupo de WhatsApp chamado “Aniversário general”, com mensagens que tratavam de encontros e celebrações. A investigação aponta que esse material sugere uma relação de convivência social contínua ao longo de 2023.
Entre os temas investigados estão operações financeiras atribuídas a Cléber, que, segundo o MPSP, atuaria como operador de um esquema de lavagem de dinheiro visando movimentar recursos de criminosos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A apuração cita também a participação de Antônio Carlos Ubaldo Júnior, advogado, que teria interagido com Léo do Moinho e participado de transferências e entregas de dinheiro vivo, com registros de valores como R$ 498,5 mil em um único anexo de conversa. A acusação descreve ainda práticas como uso de contas de terceiros e movimentação de recursos sem identificação clara do pagador/beneficiário.
Aos documentos não aparece, contudo, que Pereira Martins tenha participado das operações financeiras descritas ou que o coronel tenha qualquer envolvimento direto com as ações do PCC. O Ministério Público também ressalta que menções a nomes de outros oficiais não comprovam participação em crimes, e que Coutinho, Patrício e Pereira Martins não integram a lista de presos na Operação Janus. A reportagem destaca que as imagens e o teor das mensagens reforçam apenas a proximidade social entre as pessoas, não configurando, por si só, prova de crime.
