Carauari (AM) — Dois novos pontos de atendimento à saúde foram inaugurados na região ribeirinha da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uacari, nos distritos de Bauana e Campina. Integrados ao Sistema Único de Saúde (SUS) por meio do projeto SUS na Floresta, os postos são parte de edital do programa Juntos pela Saúde e são executados pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS) em parceria com o BNDES e a Umame, com gestão do IDIS e apoio técnico da prefeitura de Carauari e da Secretaria do Meio Ambiente do Amazonas. A iniciativa pretende aproximar a atenção básica das comunidades, oferecendo atendimentos presenciais e por telessaúde, além de ações de vacinação. Na prática, a distância entre comunidades ribeirinhas e a sede municipal deve ficar mais curta, reduzindo a necessidade de deslocamentos via rio.
Crédito: Lucas Bonny/FAS
Os dois novos pontos de atendimento ficam dentro de unidades da Fundação Amazônia Sustentável em Carauari. O objetivo é reforçar a rede pública, com mecanismos de atendimentos presenciais, teleconsulta e ações de prevenção, mantendo a assistência mesmo em situações excepcionais provocadas por pandemias ou eventos climáticos. O projeto é resultado de um edital do programa Juntos pela Saúde e conta com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Umane, sob gestão do IDIS, com apoio técnico da prefeitura de Carauari e da Secretaria do Meio Ambiente do Amazonas.
“Um princípio fundamental deste projeto e de todos os participantes do Juntos pela Saúde não é criar uma estrutura paralela ao SUS, e sim fortalecê?la. Os pontos de atendimento são implantados em parceria com as prefeituras e secretarias municipais de Saúde, e os profissionais vinculados à rede pública e à Estratégia Saúde da Família”, explicou Guilherme Sylos, diretor de prospecção e parcerias do IDIS.
Crédito: Lucas Bonny/FAS
A inauguração dos postos em Bauana (no último domingo, 19) e em Campina (terça?feira, 21) marca a consolidação do modelo, que não apenas atende casos de dor ou pré?natal, mas também atua na prevenção de doenças, na vacinação e na telemedicina. Na ocasião, moradores de São Francisco, próxima à unidade de Campina, já demonstraram expectativa pelo atendimento mais próximo, reduzindo a necessidade de deslocamentos até a cidade.
“Caso a gente adoeça, tem um meio melhor para a gente ser atendido, porque é perto daqui. Não tem nem comparação com ir para a cidade”, comentou Aldeniza Silva e Silva, que participou do pré?natal no novo posto de Campina. Ela também levou a filha de seis anos, que não estava bem de saúde. A menina foi avaliada e recebeu orientação médica; em outra ocasião, a vítima de uma queda sofrida pela comunidade também recebeu atendimento no local.
A estrutura das unidades prevê consultórios presenciais e remotos, sala de triagem, consultório odontológico, acesso à internet, telessaúde e áreas para as equipes. Além de atendimentos clínicos, os postos facilitam a assistência de urgência e a orientação sobre vacinas, com mutirões de profissionais e teleconsultas conforme a demanda. O secretário municipal de Saúde de Carauari, Manoel Brito, informou que cada unidade terá um enfermeiro e um técnico em enfermagem, com rodízio de 15 dias entre equipes, e que, ao final de cada ciclo, haverá atendimento médico pré?agendado, com teleconsulta quando necessário, com médicos da sede.
Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, parceira do PrimeiroJornal, o SUS na Floresta nasceu em 2020, durante a pandemia, para evitar desassistência em áreas ribeirinhas da Amazônia. A gerente do Programa Saúde na Floresta da FAS, Mickela Costa, ressaltou que o objetivo é manter a atenção primária de maneira contínua, prevenindo agravamentos e assegurando tratamento adequado a cada território. Ao todo, o projeto prevê seis pontos de atendimento; três unidades adicionais estão previstas em Itapiranga e Novo Aripuanã, além de um alojamento de apoio aos profissionais em Uarini, com apoio do BNDES e da Umane.
“Ao aproximar a Atenção Primária das comunidades, o SUS na Floresta contribui para prevenir agravamentos, manter tratamentos e efetivar o direito universal à saúde conforme as necessidades de cada território”, completou Sylos. A iniciativa já começa a reduzir a demanda por lanchas de resgate, com atendimentos de casos variados, desde ferimentos até gripe e necessidade de pré?natal.
