Acesso à saúde reduz histórias de perdas em comunidade do Amazonas

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Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, parceira do PrimeiroJornal, a prefeitura de Carauari, município do Médio Juruá, inaugurou dois pontos de saúde próximos às comunidades ribeirinhas Bauana e Campina, sob o guarda?chuva do programa SUS na Floresta. A iniciativa, conduzida com apoio da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Umane, tem gestão do IDIS e foi viabilizada na última semana para ampliar o atendimento de saúde nessas áreas de difícil acesso.

As unidades integram o Sistema Único de Saúde (SUS) e foram estruturadas para oferecer atendimento básico próximo das comunidades, com consultórios, sala de triagem, consultório odontológico, conectividade à internet e espaço para teleatendimento, em conjunto com a rede de atenção primária.

Na primeira semana de funcionamento, o movimento foi intenso: moradores buscaram atendimento, incluindo uma criança ferida por anzol de pesca e um caso grave de desnutrição infantil em Campina. O enfermeiro Antônio Carlos Alves Bezerra destacou que a presença das UBSs fluviais facilita o acesso à saúde e reduz a necessidade de deslocamentos até a sede do município.

“Agora, com esses pontos mais próximos, esperamos reduzir em até 80% as chamadas de resgate por lancha”, afirmou Bezerra. Ele ressaltou que, quando há atendimento imediato nas comunidades, muitos casos não demandam deslocamento para a cidade e ficam estabilizados localmente.

A implementação também é percebida como parte de uma batalha histórica pela saúde no Médio Juruá. A região abriga a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Uacari, que se estende por 633 quilômetros, reúne 31 comunidades e cerca de 409 famílias que vivem do extrativismo e da agroindústria familiar. O líder local Solivan Peres de Araújo, presidente da Amaru, relembrou que, anos atrás, a distância até a cidade dificultava o acesso a serviços de saúde e que muitos sobreviviam com recursos limitados, o que torna a nova rede de atendimentos ainda mais crucial para manter as comunidades em seus territórios.

O contexto desafiante não se resume apenas à logística. A prefeitura reconhece os custos da operação de resgate por lancha, que chegam a between R$ 40 mil e R$ 45 mil mensais, além da existência de UBSs fluviais que atendem as comunidades de forma eventual. O Ministério da Saúde informou que, neste ano, cerca de R$ 500 milhões estão sendo investidos na implantação de Equipes de Saúde da Família Ribeirinha, com apoio a municípios que antes tinham acesso restrito a serviços de saúde.

Nesta etapa, a parceria entre a prefeitura de Carauari e organizações da sociedade civil viabilizou a instalação de dois pontos de saúde mais próximos das comunidades ribeirinhas. Chamado de SUS na Floresta, o projeto — resultado de edital do programa Juntos pela Saúde — é executado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), em parceria com o BNDES e a Umane, com gestão do IDIS e apoio técnico da prefeitura de Carauari e da Secretaria de Meio Ambiente do Amazonas. A expectativa é atender 56 comunidades e beneficiar cerca de 4,7 mil pessoas com atendimento de atenção primária.

“Se antes existisse esse sonho de oferecer atendimento próximo às comunidades, muita gente ainda estaria em risco”, afirmou Solivan, destacando o alcance do projeto. Além disso, Mickela Costa, gerente do Programa Saúde na Floresta da FAS, enfatizou que o SUS na Floresta busca manter as populações em seus territórios, assegurando direito à saúde sem precipitar êxodo rural, contribuindo para a estabilidade social e econômica local.

A repórter viajou a convite do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) e da Fundação Amazônia Sustentável (FAS). Este texto foi produzido com base em informações da Agência Brasil, parceira do PrimeiroJornal.

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